Sobre as Imagens Sagradas
- Alexandra Oliveira

- há 1 dia
- 2 min de leitura
"Que cada um, então, fundamente sua conduta em virtudes morais e ações como estas, a saber, reverência aos deuses, benevolência para com os homens, castidade pessoal; e que assim abunde em atos piedosos, quero dizer, esforçando-se sempre para ter pensamentos piedosos sobre os deuses, e considerando os templos e imagens dos deuses com a devida honra e veneração, e adorando os deuses como se os visse realmente presentes. Pois nossos pais estabeleceram imagens e altares, e a manutenção do fogo eterno, e, de modo geral, tudo o mais, não para que considerássemos tais coisas como deuses, mas para que adorássemos os deuses por meio delas. Pois, estando no corpo, era corporalmente que devíamos prestar nosso serviço aos deuses também, embora eles próprios não tenham corpos; portanto, eles nos revelaram nas imagens mais antigas a classe de deuses imediatamente inferior à primeira, até mesmo aqueles que giram em círculo ao redor de todos os céus. Mas, como nem mesmo a estes se pode oferecer o devido culto corporalmente — pois por natureza não precisam de nada —, outra classe de imagens foi inventada na terra, e ao prestarmos nossa adoração a eles, tornaremos os deuses propícios a nós. Pois, assim como aqueles que fazem oferendas às estátuas dos imperadores, que nada precisam, ainda assim induzem a benevolência para si mesmos por meio delas, também aqueles que fazem oferendas às imagens dos deuses, embora os deuses nada precisem, ainda assim os persuadem a ajudá-los e a cuidar deles. Pois o zelo em fazer tudo o que está ao alcance de alguém é, na verdade, uma prova de piedade, e é evidente que aquele que abunda em tal zelo demonstra um grau mais elevado de piedade; enquanto aquele que negligencia o que é possível e depois finge almejar o impossível, evidentemente não se esforça pelo impossível, visto que ignora o possível.
Portanto, quando contemplamos as imagens dos deuses, não devemos pensar que são pedras ou madeira, mas também não devemos pensar que são os próprios deuses; e, de fato, não dizemos que as estátuas dos imperadores são mera madeira, pedra e bronze, mas muito menos dizemos que são os próprios imperadores. Aquele que ama o imperador se deleita ao ver a estátua do imperador, e aquele que ama seu filho se deleita ao ver a estátua de seu filho, e aquele que ama seu pai se deleita ao ver a estátua de seu pai. Segue-se que aquele que ama os deuses se deleita ao contemplar as imagens dos deuses e suas representações, e sente reverência e estremece de admiração diante dos deuses que o observam do mundo invisível. Portanto, se alguém pensa que, por terem sido chamadas de representações dos deuses, são indestrutíveis, parece-me que está completamente enganado; pois certamente, nesse caso, seriam indestrutíveis por mãos humanas. Mas o que foi feito por um homem sábio e bom pode ser destruído por um homem mau e ignorante."
(Imperador Juliano, o Apóstata)


Comentários