• Alexandra Oliveira

Reivindicados pelos Deuses

Atualizado: Mai 1

"A pessoa é para o que nasce."


(publicado originalmente a 10 de março de 2009)


Quando somos "reclamados" (que Percy Jackson talvez chamaria de "determinados", rsrsrs) por um/a/s dos Deuses, as coisas começam a se complicar (ou, ao estilo Peter Parker, "grandes poderes trazem grandes responsabilidades"). Nós mesmos custamos um pouco a aceitar ter que incluir na nossa vida uma medida em termos de fazer algo por um bem maior e aguentar as implicações que vêm com esse caminho. Não é apenas mais uma questão de fazer suas práticas devocionais e achar que está tudo beleza e pronto. Sua vida não é mais só sua. Você volta e meia vai se encontrando em situações de precisar 'prestar serviço' que já nem tem mais o "luxo" de parar para pensar se você acredita mesmo naquilo ou não, se você vai celebrar um festival ou não. Nós temos autonomia sim, mas é que aquilo já começa a fazer parte de você, quando você não entra na coisa você sente que falta algo. (Já aconteceu de você ter a impressão de que o mês - helênico - não mudou, porque você não fez um ritual na Noumenia?) Você nem pediu para ser assim, de ter que ficar se recriando toda hora, mas, se você não fosse assim, o mundo seria pior. Imagina se todo mundo resolvesse sentar no mesmo assento do ônibus em vez de assumir outro (numerado e destinado para ele/a)... Sei que os Deuses não dependem do nosso culto para existir, mas eles provavelmente fazem um bom uso da energia das nossas ofertas e devoções. E não é só para isso que eles nos chamam. Nós podemos ser intermediários entre deuses e homens, podemos ser portais ou pontes para o trabalho deles no mundo, podemos ser forças de paz e conforto para quem precisa etc. Às vezes é difícil para as pessoas imaginar os Deuses como seres que amam tanto a gente a ponto de escolher alguns para quebrá-los ao meio (porque é isso o que acontece) em prol de algo maior. A presença deles é linda e aterrorizante ao mesmo tempo. É profunda e sobrepujante. É muito para um ser humano pequenino. Talvez por isso eles são vistos como deidades de criação e destruição. A presença deles nos fere para nos curar e, a partir daí, curarmos outros. Como Quíron, o "curador ferido". Mas antes que eu fale de novo dessa reconstrução dionisíaca que volta e meia eu comento sobre ela, deixa eu retornar à questão das mudanças de quando uma deidade nos escolhe. Só para ilustrar algumas principais logo do início. Para começar, isso muda seu estado mental: as ações mundanas passam a ser consideradas como de possível intervenção divina e não mais tão casuais assim. Você passa a prestar atenção, a ficar mais atento às "coincidências", você faz associações - explicando a si mesmo que você age de certa forma por que determinada deidade ensinou assim e você concorda com Ele/a a ponto de considerar aquilo. Com isso, seu caminho faz mais sentido, e quem você é também. Depois, algumas respostas se tornam mais simples, você aceita que algumas coisas são assim porque há milênios já eram assim e nunca deixaram de fazer sentido. Algumas são culturais, mas outras são universais, naturais. (Um exemplo bobinho: a gente usa um anel em certa falange do dedo, ninguém usa o anel na ponta do dedo ou do nariz.) Há uma lógica interna em muita coisa que existe; ela nem sempre é aparente, mas ainda assim é aplicável. E os deuses entendem disso melhor do que nós. Muitas vezes Eles nos apontam um caminho com relação ao que sabem. Então, isso tudo cria um laço poderoso entre Eles e nós. Aliás, é disso que se constitui a religião ("religar"). Ao aceitarmos que a vontade dEles e o próprio universo que habitamos tem uma lógica que um dia vamos entender (ou raramente não), recebemos sua aprovação, seus favores, e estabelecemos um relacionamento com consequências inesperadas pelo resto da vida. O mais importante é fazer isso não por medo de represálias ou por imposição externa, mas por uma questão de sabermos ser gratos, sentirmo-nos amados, e sermos dedicados ao caminho espiritual que aceitamos. Depois que você passa pelas marteladas no começo da lapidação da sua pedra bruta e sobrevive, aí você vira um diamante e vem uma parte que compensa: brilhar, servir de presente e receber um polimento de vez em quando... Ainda tem quem te jogue no chão e te morda para ver se você é de verdade, mas - cá entre nós - isso não é gostoso? #deuses #greciaantiga #helenismo #mitologia #rituais #crenças #gregos

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