EOS

 

Hino Órfico 78 - Para Eos (Aurora) - com incenso de maná:

Ouça, deusa, trazendo aos mortais o dia portador-da-luz,

Brilhante Aurora, enrubescendo pelo cosmo,

Mensageira do grande e nobre deus Titã,

Tu que envias a escuridão e o trânsito cintilante da noite

Sob as partes mais baixas da terra ao te ergueres;

Das obras és a guia, do sustento és ministra aos mortais,

Tu em quem a raça dos falantes mortais se delicia; não há ninguém

Que fuja da sua visão quando ela se eleva;

Quando o doce sono das pálpebras tu sacodes fora,

Cada mortal se rejubila, cada coisa rastejante e as outras tribos

De quadrúpedes e de alados dos mares de muitas espécies;

Pois todo o sustento que pode ser conseguido tu provéns aos mortais.

Portanto, abençoada, pura, que aos iniciados tu possas aumentar tua luz sagrada.

(tradução da Alexandra)

ERÍNIAS

 

Hino Órfico 70, às Fúrias (Eumênides), com fumigação de aromáticos:

Ouçam-me, ilustres Fúrias (Eumênides), de poderosos nomes e impressionantes poderes, famosas por seu prudente conselho;

Sagradas e puras, nascidas do terrestrial Jove (Zeus Khthonios) e Proserpina (Perséfone), a quem adoráveis cachos adornam;

Cuja vista penetrante, com visão irrestrita, inspeciona as ações de toda a espécie ímpia:

Atendente dos Destinos, punidora da raça - com severa ira - de obras injustas e vis.

Rainhas de cor escura, cujos olhos resplandescentes são brilhantes de luz temível, radiante e destruidora de vida:

Eternas governantes, terríveis e fortes, a quem a revanche e a tortura horrendamente pertencem;

Fatais e repugnantes à vista humana, com cabelos serpentinos vagando na noite;

Aproximem-se e rejubilem-se destes ritos, pois a vós eu chamo, com voz sagrada e suplicante.

 

Hino Órfico 69, às Fúrias (Erínias), com fumigação de aromáticos:

Vociferantes e Desenfreadas Fúrias [Erínias], ouçam! A vós eu invoco, poderoso temor, a quem todos reverenciam;

Noturnas, profundas, que se retiram em segredo, pavorosas Tisífone, Alecto e Megara;

Imersas em uma profunda caverna, envolvidas pela noite, perto de onde o Estige flui impermeável à vista;

Sempre presente nos ritos misteriosos, furiosas e ferozes, em quem a lei terrível do destino se delicia;

Vingança e tristeza medonhas a vós pertence, ocultas em um véu selvagem, grave e forte,

Espantosas virgens, que sempre habitam dotadas de várias formas, no mais profundo Hades;

Aéreas, e não vistas pelo gênero humano, de veloz corrida, rápidas como a mente.

Em vão o Sol com brilho alado refulgente, em vão a Lua com sua suave luz dardejante,

Sabedoria e Virtude podem tentar em vão, e a agradável Arte obter nosso transporte

Ao menos com estas vocês prontamente conspiram, e logo previnem sua ira toda-destrutiva.

As ilimitadas tribos de mortais vocês avistam e justamente regem com o olhar imparcial do Direito [de Dikê].

Venham, Moiras de cabelo serpentino, de muitas formas, divinas, suprimam sua raiva, e favoreçam nossos ritos.

(traduções da Alexandra)

ÉTER

 

Hino Órfico 4 ao Éter, com incenso de açafrão

Ó alto teto de Zeus,com eterna força indestrutível,

parte das estrelas, do sol e da lua,

a tudo subjuga, ignívomo, uma centelha em todos os seres,

altivisível Éter, melhor elemento do cosmo;

ó rebento esplêndido, luzidio, fulgente d'estrelas, (5)

invoco-te e suplico que sejas temperado e sereno.

(Tradução: Rafael Brunhara)

FANES

 

Hino Órfico  5 a Protógono [Fanes], com incenso de mirra.

O Primogênito [Protógono] eu chamo, biforme, ingente, errante etéreo,

ovogênito, que se ufana de suas asas de ouro,

de táureo clamor, gênese de venturosos e mortais homens,

sêmen inolvidável, de muitos rituais, Deus Vernal [Ericepeu],

inefável, silvante oculto, rebento radiante,

que desturva dos olhos a névoa sombria

e ao bater as asas por toda a parte com ímpeto através do cosmo

trazes a brilhante pura luz. Por isso invoco-te como Luminar [Fanes],

Priapo soberano e Brilhante [Antauges] de olhos vivos.

Eia, venturoso de muitos planos, de muitas sementes, vem jubiloso

para os iniciados em consagrado rito muito iriado.

(Tradução: Rafael Brunhara)

GEIA

 

Hino Órfico 26 a Gaia, com incenso de olíbano ou outro (exceto favas e ervas aromáticas):

Toda-Fértil e Toda-Destruidora Gaia, Mãe de Tudo, que traz generosos frutos e flores, Toda variedade, Donzela que ancora no mundo eterno sozinha, Imortal, Abençoada, coroada com toda a graça, Profundo florescer da Terra, doces planíces e campos, gramas aromáticas nas chuvas que nutrem. Em torno de ti voam as belas estrelas, eternas e divinas; Venha, Abençoada Deusa, e ouça as preces de Teus Filhos, faça os frutos e grãos crescerem em teu constante cuidado, e que com as estações férteis tuas criadas se aproximem e abençoem teus suplicantes.

 

Hino Homérico XXX - À Terra, Mãe de Tudo:

De Geia eu canto, Mãe firme de tudo, a mais antiga, que alimentou a vida na terra, sempre que caminhava no solo ou nadasse no mar ou voasse; Ela sustentou cada uma de suas riquezas. Através de ti os povos são abençoados de filhos e frutos, Ó Rainha, que dá e reclama a vida dos mortais; enriqueça quem quer que te agrade e honre; toda a abundância para eles; que suas terras férteis sejam frutíferas; através dos campos seus rebanhos prosperem; sua casa seja repleta de deuses. Eles regem os estados bem-ordenados com formosas mulheres, e ampliam as riquezas dos que os seguem; seus filhos exultam com júbilo jovial; suas filhas brincam em danças de espalhar flores com o coração feliz, e pulam pelos campos floridos. Tal coisa tu dás, Rica Divindade Sagrada. Então te saúdo, Deusa-Mãe, Esposa do Céu Estrelado; recompense minha canção com um sustento prazeroso! De ti eu me recordo, e de outra canção também.

(traduções da Alexandra)

HADES

 

Hino Órfico 17 a Plutão [Hades]

Ó Deus de coração brutal, habitante de lar subterrâneo,

 tartáreo e profundo prado, lúgubre e lucífugo,

Zeus ctônio, rei cetrado! Acolhe de bom grado estes sacrifícios,

Plutão, que deténs as chaves de toda a terra,

que todo o ano dá a riqueza dos frutos à estirpe mortal, (5)

que recebeste a terça parte -- a subterrânea rainha de tudo,

sede dos imortais,  pujante suporte dos mortais,

tu firmaste um trono em tenebrosas terras:

o Hades longínquo, infatigável e sem ventos

e o escuro Aqueronte, que ocupa as raízes da terra;  (10)

 tu, que reges a graça da morte aos mortais, ó hospedeiro de muitos,

Conselheiro que um dia com a filha da purificante Deméter

casou-se,  arrebatando-a dos prados até o mar,

e com tuas quadrigas levaste-a a um ático antro,

no distrito de Elêusis, onde estão os portais do Hades. (15)

Nasceste para ser o juiz de atos claros e ocultos,

onipotente divinizado, o mais sagrado, de esplêndidas honras,

que se alegra na condução de insignes mistérios, consagrados e reverendos,

apelo que tu venhas grato e propício aos mistérios.

(Tradução: Rafael Brunhara)

HÉCATE

 

Hino Órfico a Hécate

Hécate Einodia, Trioditis [Trivia], amável dama,

da estrutura terrestre, aquática e celestial,

sepucral, em um véu de açafrão vestida,

satisfeita com fantasmas escuros que vagueiam pelas sombras;

Perséia, deusa solitária, saúdo-te!

Portadora da chave do mundo, nunca condenada a falhar;

em cervos rejubila-se, caçadora, vista noturnamente,

e arrastada por touros, inconquistável rainha;

Líder, Ninfa, enfermeira, a que vaga nas montanhas,

ouça os suplicantes que com ritos sagrados teu poder veneram,

e arraste-se para perto do vaqueiro com uma mente favorável.

(tradução da Alexandra)

 

Hino Órfico a Hécate:

À Hécate dos três caminhos / e encruzilhadas eu canto;

No céu, na terra e no mar, / de açafrão é seu manto.

Nas tumbas celebrando Baco, / se une às almas dos mortos;

Filha de Perses, solitária, / ela se delicia em cervos.

Irresistível rainha, / à noite ela os cães assiste;

Em grito às feras, desarmada, / a ela ninguém resiste.

Rainha e senhora do mundo, / de touro é sua tiara;

Líder das chaves, cuidadora, / pelas montanhas ela caça.

Seja presente, ó donzela, / em prece aos sagrados ritos;

Ao devoto sê propícia, / ó sempre alegre espírito.

(tradução da Alexandra)

Vídeo do hino em grego, cantado pela Álex, com melodia de Melissa G.

Mp3 do hino em grego, e sua versão em português, em mp3.

Hino a Hécate (Teogonia, vv.404-452)

Febe entrou no amoroso leito de Coios

e fecundou a Deusa o Deus em amor,

ela gerou Leto de negro véu, a sempre doce,

boa aos homens e aos Deuses imortais,

doce dês o começo, a mais suave no Olimpo.

Gerou Astéria de propício nome, que Perses

conduziu um dia a seu palácio e desposou,

e fecundada pariu Hécate a quem mais

Zeus Cronida honrou e concedeu esplêndidos dons,

ter parte na terra e no mar infecundo.

Ela também do Céu constelado partilhou a honra

e é muito honrada entre os Deuses imortais.

Hoje ainda, se algum homem sobre a terra

com belos sacrifícios conforme os ritos propicia

e invoca Hécate, muita honra o acompanha

facilmente, a quem a Deusa propensa acolhe a prece;

De quantos nasceram da Terra e do Céu

e receberam honra, de todos obteve um lote;

nem o Cronida violou nem a despojou

do que recebeu entre os antigos Deuses Titãs,

e ela tem como primeiro no começo houve a partilha.

Nem porque filha única menos partilhou de honra

e de privilégio na terra e no céu e no mar

mas ainda mais, porque honra-a Zeus.

A quem quer, grandemente dá auxílio e ajuda,

no tribunal senta-se junto aos reis venerandos,

na assembléia entre o povo distingue a quem quer,

e quando se armam para o combate homicida

os homens, aí a Deusa assiste a quem quer

e propícia concede vitória e oferece-lhe glória.

Diligente quando os homens lutam nos jogos

aí também a Deusa lhe dá auxílio e ajuda,

e vencendo pela força e vigor, leva belo prêmio

facilmente, com alegria, e aos pais dá a glória.

Diligente entre os cavaleiros assiste a quem quer,

e aos que lavram o mar de ínvios caminhos

e suplicam a Hécate e ao troante Treme-terra,

fácil a gloriosa Deusa concede muita pesca

ou surge e arranca-a, se o quer no seu ânimo.

Diligente no estábulo com Hermes aumenta

o rebanho de bois e a larga tropa de cabras

e a de ovelhas lanosas, se o quer no seu ânimo,

de pouco avoluma-os e de muitos faz menores.

Assim, apesar de ser a única filha de sua mãe,

entre imortais é honrada com todos os privilégios.

O Cronida a fez nutriz de jovens que depois dela

com os olhos viram a luz da multividente Aurora.

Assim dês o começo é nutriz de jovens e estas as honras.

(Tradução de Jaa Torrano)

 

PGM IV 2520-2569 (do século II AEC ao 5 EC):

Venha a mim, ó amada senhora, Hécate de três faces,

Gentilmente ouça meus cantos sagrados.

Tu armas tuas mãos com terríveis e sombrias tochas,

Tu sacodes teus cachos de temíveis serpentes em tua testa,

Tu soas como o bramido de touros saindo de tua boca.

Ferozes cães são queridos a ti, onde quer que te chamem

Hécate, de muitos nomes, Mene (Lua) que fende o ar como

Ártemis que atira dardos, Perséfone,

Atiradora de cervo, noite, brilhante, trissonante,

Selene, de três cabeças, de três vozes,

De três pontas, de três faces, de três pescoços,

E deusa dos triplos caminhos, que segura

A incansável chama em cestos triplos,

E tu que constantemente frequenta o triplo caminho

E rege as triplas décadas,

A mim que te chamo

Seja graciosa e com gentileza dê atenção;

Tu que proteges o espaçoso mundo à noite,

Diante de quem os daimones (espíritos) tremem de medo

E os Deuses imortais estremecem; Deusa que

Exalta os homens, tu de muitos nomes, mãe dos Deuses

E dos homens e da Natureza, Mãe de todas as coisas,

Pois tu frequentas o Olimpo, e o largo caos sem fronteiras

Tu atravessas. No começo e no fim tu estás,

E somente tu reges tudo.

Pois todas as coisas vêm de ti, e em ti

Todas as coisas, Eterna, chegam a seu final.

Saúdo-te, Deusa, e, observando teus epítetos,

Queimo para ti este incenso.

(Tradução de Alexandra)

HEFESTO

 

Hino Órfico 65 (a Hefesto, com fumigação de olíbano e maná):

Forte, poderoso Hefesto, que traz a luz esplêndida, o fogo incessante, com chamas torrentes brilhando: o de mãos fortes, imortal, de arte divina, puro elemento, uma porção deste mundo é tua : artista que tudo domina, poder que a tudo se estende, é tua, supremo, toda substância a devorar : o éter, o sol, a lua e as estrelas, a luz pura e limpa, pois estas tuas partes lúcidas [de fogo] aos homens aparecem. A ti todas as habitações, cidades, tribos, pertencem, difundidas entre os corpos mortais, ricos e fortes. Ouça, poder abençoado, aos sagrados ritos se incline; e, todo propício no incenso, brilhe: suprima a ira do leito do fogo incessante, e ainda preserve nossa chama vital da natureza.

 

Hino Homérico XX - A Hefesto

Canto, Musas de voz clara, a Hefesto, famoso por suas invenções. Com a Atena de olho brilhante ele ensinou aos homes gloriosos presentes através do mundo, -- homens que antes costumavam habitar em cavernas nas montanhas como feras selvagens. Mas agora que eles aprenderam os artífices ofícios através de Hefesto, o famoso trabalhador, facilmente eles vivem uma vida pacífica em suas próprias casas durante o ano todo. Seja afável, Hefesto, e conceda-me sucesso e prosperidade!

(traduções da Alexandra)

HÉLIO

 

Hino Órfico (VII) a Hélio, com fumegação de Olíbano e Maná

Ouça Titan de ouro, cuja eterna percepção com ampla visão, ilumina todo o céu.

Autônomo, incansável na difusão de luz, e para todos os olhos reflexos de prazer:

Senhor das estações do ano, com o teu carro de fogo e corcéis saltitantes, radiante luz distante:

Com tua mão direita a fonte de luz da manhã, e com a esquerda o pai da noite.

Ágil e vigoroso Sol, venerável, ardente e brilhante movimento em torno do Firmamento.

Inimigo dos ímpios, mas orienta o bom homem, sobre todos os seus passos dirigindo favoravelmente:

Com vários iniciados, lira dourada, és meu para encher o mundo com divina harmonia.

Pai das eras, guia de ações prósperas, comandante do mundo, conduzido por lúcidos corcéis,

Júpiter imortal [Zeus], tudo penetra, portando luz, fonte de existência, genuíno brilho ardente

Portador de frutas, todo-poderoso senhor de anos, agil e quente, a quem todo poder reverbera.

Grande visão da Natureza e do céu estrelado, destinado com chamas imortais a se por e ascender

Aviando justiça, amante do fluxo, maior soberano do mundo, e supremo sobre todos.

Defensor leal, e o olho direito [correto], regente dos cavalos, e da luz da vida:

Com o chicote iniciático quatro cavalos de fogo você guia, quando no carro do dia você monta glorioso.

Propicie nesses trabalhos místicos brilhar, e abençoe vossos suplicantes com uma vida divina.

(Tradução de Yuzuru Izawa)

 

Hino a Hélio, de Proclus

Ouça-me, oh rei do Fogo inteligível,

Titã de dourados freios,

Ouça-me, oh custódio da luz, senhor

Que possuis a chave da fonte inicial

Da vida, e que derramas sobre os mundos materiais,

Desde o alto, uma copiosa harmonia.

Ouça-me, tu que no éter está entronizado

No trono central, e possuindo o coração

Do mundo - oh resplandecente círculo -,

Por tua providência excitadora,

Difundiste pelo universo

As mentes capazes de conhecer.

E também (difundiste o conhecimento) nos planetas,

Cheio de tuas viventes chamas,

Enquanto que na terra

Chovem sementes de vida, transformando,

Incansavelmente, perenes danças;

e enquanto, nos séculos, já gerados, Prossegue a passagem das Horas,

Germinando debaixo (o passo) de tuas rodas sempre girantes.

(Tradução de Andre Nogueira)

HERA

 

Hino Homérico XII - A Hera

Eu canto à Hera do trono dourado, a quem Réia deu à luz. Rainha dos imortais ela é, superando todas em beleza: ela é a irmã e esposa do Zeus do alto trovão, - a gloriosa, a quem todos os abençoados pelo alto Olimpo reverenciam e honram, tanto quanto a Zeus que se delicia em trovões.

 

Hino Órfico 16, a Hera:

Ó Hera da realeza, de modos majestosos, formada no etéreo, divina, rainha abençoada de Zeus, entronada no âmago do ár cerúleo (cor-do-céu), a raça dos mortais é teu costante cuidado. As resfrescantes ventanias, elas sozinhas já inspiram poder, que nutre a vida, que toda a vida deseja. Mãe dos chuviscos e ventos, a ti apenas, produzindo todas as coisas, a vida mortal é conhecida: toda a natureza compartilha o teu temperamento divino, e o domínio universal é apenas teu, com sonoras rajadas de vento, o mar que se expande e os rios que fluem e bradam quando sacudidos por ti. Venha, abençoada Deusa, poderosa e renomada rainha, de aspecto gentil, rejubiloso e sereno.

 

Hino Órfico 15, a Hera, com incenso de ervas aromáticas:

Tu estás oculta em buracos escuros, e aérea é a tua forma,

Ó Hera, rainha de tudo e abençoada consorte de Zeus.

Tu envias brisas suaves aos mortais, assim como nutres a alma,

e, mãe das chuvas,

tu cuidas dos ventos e dás nascimento a tudo.

Sem ti não há sequer vida nem crescimento;

e, misturada como estás no ar, te veneramos,

participas de tudo e de tudo és rainha e senhora.

Atiras-te e te viras com o vento impetuoso.

Que tu possas, ó deusa abençoada e rainha de muitos nomes,

trazer gentileza e alegria em teu amável rosto.

(Traduções da Alexandra)

HÉRACLES

 

Hino Homérico XV: A Héracles, coração-de-leão

A Heracles de Zeus o filho cantarei, de longe o melhor

dos homens da terra; na Tebas de formosos coros

gerou-te Alcmena unida ao nuvem-turvo Cronida

antes por terra e mar inefáveis errante

por injunções de Euristeu soberano

muitas temeridades cumpriu, a muitas resistiu:

mas hoje na bela sede do nevoento Olimpo

habita jubiloso e tem Hebe de belos tornozelos.

Salve, soberano filho de Zeus: concede-me virtude e prosperidade!

(tradução de Rafael Brunhara)

 

Nonnos, Dionisíacas: 36.345-7

Héracles adornado-de-estrelas, rei do fogo, governador do universo, deus solar, tu que com seus raios de longo alcance és o guardião da vida mortal, com lampejos que envolve o largo circuito de teu curso. No Eufrates chamavam-te de Belus, na Líbia de Ammon, no Nilo eras Apis por nascimento, és o Cronos arábico, o Zeus assírio. Mas tu és também Sarapis, ou o Zeus sem-nuvens do Egito, ou Cronos, ou Faetonte, ou o muito-entitulado Mitra, filho da Babilônia, ou o Apolo grego de Delfos, ou o casado, cujo Amor gerou na terra sombria dos sonhos. Tu, que és conhecido como Paieon, o curador da dor, ou Éter, com seus variados trajes, ou a noite reluzente de estrelas - uma vez que os mantos estrelados da noite iluminam o céu -, concede um ouvido propício à minha prece.

(tradução de Alexandra)

 

Hino Órfico 12, a Héracles, com incenso de olíbano:

Héracles, de robusto-coração, e poderoso Titã,

De mãos fortes, indomável, autor de valentes feitos,

Tu mudas tua forma, ó duradouro e aprazível pai do tempo.

Inefável, selvagem, senhor de tudo a quem muitos oram,

Todo-conquistador e intrometido, arqueiro e vidente,

Onívoro procriador de tudo, e mais sublime ajudante,

Aquele que, pelo bem dos homens, subjugou e domou raças selvagens,

Por desejares a paz, a qual traz deslumbrantes honras e nutre os jovens.

Que cresceu por si próprio, infatigável, mais corajosa criança da terra.

Tu lançaste teus primeiros raios, ó ilustre Peã.

A aurora circunda tua cabeça e a noite escura se segura,

E teus doze feitos de valor se estendem de leste a oeste.

Imortal, sábio-universal, ilimitado e irreprimível,

Vem, ó abençoado, trazendo todos os encantos contra a doença;

Com a clava na mão, conduz o mal para longe, banindo-o,

E, com teus dardos envenenados, afasta a morte cruel.

(traduzido por Alexandra do inglês de Athanassakis)

 

Hino Órfico 11 a Héracles, com incenso de Olíbano

Héracles de coração brutal, magna força, bravo titã,

braço forte, indomável que floresce em jogos de força,

mutante forma, pai do tempo [Khronos] perpétuo e benévolo,

inefável de coração feroz, todo poderoso a quem muito rogam,

com um peito onipotente, de grande poder, arqueiro, profeta,

onívoro, pai de todos, sublime, auxiliador de tudo,

quem pelos mortais caçou e pôs fim às raças selvagens,

nutridor que deseja a paz, de esplêndidas honras,

incansável gerado por si mesmo, melhor rebento da Terra [Gaia],

lançando relâmpagos primogênitos, Peã de nome magno,

sobre a tua cabeça suportas a Aurora e a noite negra,

e teus doze trabalhos são famosos de leste a oeste.

Imortal, muito experienciado, infinito e imperturbável:

Vem, venturoso, traz todos os feitiços contra as doenças,

expulsa a perdição terrível brandindo nas mãos a clava,

e dispara aladas flechas venenosas contra a Morte cruel [kêres].

(Tradução: Rafael Brunhara)

HERMES

 

Hino Homérico XVIII - A Hermes

Canto ao Hermes Cileno, o assassino de Argus, senhor de Cilene e da Arcádia rica em rebanhos, o que traz a sorte, mensageiro dos deuses imortais. Ele nasceu de Maia, a filha de Atlas, quando ela esteve com Zeus, -- uma tímida deusa ela. Sempre ela evitou o tropel dos deuses abençoados e viveu em uma caverna sombria, e lá o Filho de Cronos costumava se deitar com a ninfa de ricos cachinhos à calada da noite, enquanto a Hera de braços brancos caía em um suave sono: e nem um deus imortal e nem um homem mortal sabiam disso. E então te saúdo, Filho de Zeus e Maia; contigo eu comecei: agora me voltarei a outra canção! Saúdo-te, Hermes, doador das graças, guia e doador das boas coisas!

(tradução da Alexandra)

 

Hino Órfico a Hermes

Ouça-me, Hermes, de Zeus mensageiro, e filho de Maia;

vitorioso tu és e presides os jogos dos homens.

Gracioso ministro, e astucioso argicida,

com tuas sandálias aladas, dos deuses a nós profetizas.

Que ama os exercícios, os truques e as artimanhas,

intérprete de tudo, fonte dos lucros e alívio.

Tu, que nas mãos tens a arma da paz e no trânsito a sorte,

venturoso Corício e provedor do discurso.

Que ajuda os mortais que o veneram na necessidade,

terrível arma da língua e guia nos nossos caminhos.

Ouça minha prece e concede um nobre e bom fim à vida

em escolhidas palavras, e memoráveis trabalhos.

(tradução de Alexandra)

Vídeo do hino em grego, cantado pela Álex, com melodia de Melissa G.

Mp3 do hino em grego e Mp3 do hino em português.

 

Prece dos Papiros Mágicos Gregos, atribuída a Hermes ou a Zeus Ktesios:

Dai-me toda a graça/favor, toda a realização/sucesso, pois o portador do bem, mensageiro parado ao lado da Fortuna (Tyche), está contigo. Dai, consequentemente, lucro/abundância e sucesso para esta casa. Por favor, Eterno (Aion), governante da esperança, doador de riquezas, ó sagrado Bom Espírito (Agathos Daimon), traga à realização esses favores e teus divinos oráculos.

(PGM IV. 3165 – 7, tradução da Alexandra)

 

Hino homérico a Hermes:

1. Nascimento

Cantai, ó Musa, a Mercúrio, progênie de Zeus e de Maia,

De Cilene Senhor, rei da Arcádia abundante em rebanhos,

Benfeitor, mensageiro dos deuses, nascido de Maia,

A de belos cabelos, unida em amor a Zeus Crônio,

Veneranda. Ela, ausente da turma dos deuses beatos,

Numa umbrosa caverna morava, onde o filho de Cronos

Misturava-se à ninfa de belos cabelos, noite alta,

Quando o sono ocupava a divina de cândidos braços,

Hera, oculto dos deuses do Olimpo e dos homens mortais.

Quando o tempo chegou de cumprir-se a vontade de Zeus,

Já passados dez meses ao longo do tempo no céu,

fez a luz revelar que façanhas ilustres fizera!

E eis que um filho nasceu industrioso, em mil treitas esperto,

Predador, condutor de rebanhos, ministro dos sonhos,

Espreitante da noite, vigia das portas, que iria ostentar

os seus ínclitos fastos aos deuses eternos beatos.

Matutino, já no meio-dia tocava da cítara,

E, de noite, o rebanho roubava de Apolo dardeiro.

E depois que dos flancos da madre surgiu imortais

Muito tempo no berço sagrado ele não ficaria.

E em busca das vacas de Apolo, imediato transpôs

A portada de sua caverna de altíssimo teto.

2. Inventividade: invenção da cítara

Foi aí que encontrou um quelônio, que felicidade!

Hermes foi o primeiro a tornar instrumento um quelônio

Que encontrou sobre o sólio das portas em frente à caverna

A pastar ante a casa, no pasto, de grama florido,

Com seus passos morosos. O filho de Zeus, benfeitor,

Viu e riu e, em seguida, as seguintes palavras lhe disse:

"Um sinal muito caro, em verdade, não vou desprezar!

Salve, pois, cousa amável, ritmada, hetaíra das festa,

Que alegria te ver! De onde vem esse lindo brinquedo?

Carapaça tu és, tartaruga que vive nos montes!

Já te apanho e levo-te pra casa. Dar-te-ei serventia.

Desprezar-te não vou. O primeiro vou ser a quem serves!

Estar em casa é melhor, pois na rua se encontra a ruína!

Proteção contra o mal da magia decerto serias

Se vivente; se morta, no entanto, mui bem cantarás!

3.a-) Um lugar para o furto.

"Aqui vens, de impudência vestido? E eu agora pressinto

Que, nos laços que leva na cinta insolúveis e fortes,

brevemente este umbral passarás preso ao filho de Leto,

Te furtando do espaço entre montes e vales que roubas!

Mas qual nada! Teu pai te gerou para seres tormento

Para os homens mortais e também para os deuses eternos."

Então, Hermes esta hábil resposta à mamãe proferiu:

"Minha mãe, por que falas-me como se eu fosse um menino

Pequenino, a cabeça repleta de boas querências,

Timorato, um menino a ter medo das rusgas da mãe?

Bem agora! O que eu quero é me dar à melhor dentre as artes!

De só vez me bastar e bastar-te, não sós entre os deuses

Imortais, sem presentes e of´rendas, sem invocações,

E isolados pra sempre ficarmos, assim como queres.

Bem melhor é viver para sempre entre os deuses eternos

Muito rico, opulento, punjante, que em casa viver,

Em um antro sombrio! A respeito das honras eu bem

Delas mesmo cuidei de prover, como aquelas de Apolo.

Se a meu pai não preocupa que eu tenha, garanto que eu mesmo

Tentarei (sei que posso!) tornar-me rei dos bandidos!

Se o glorioso rebento de Leto pegar-me procura,

Eu farei com que causa maior aconteça de oposto,

Eu irei a Piton arrombar sua vasta morada:

Incontáveis e lindos tripés, caldeirões excelentes:

Pilharei seu tesouro, co´as peças de ferro esplendente,

Muitos ricos estofos! Já tudo verás, se quiseres."

3b-) Um lugar para a mentira.

"Ó tu, filho de Leto, por que esse discurso tão rude?

E aqui vires em casa a buscar tuas vacas agrestes

Nada vi, nada sei, nem ouvi dizer nada a ninguém,

Nem indícios mostrar, já que não valeriam de nada.

Um larápio de bois, homem forte, também não pareço.

Meu trabalho não é esse, outras cousas em vez, me interessam.

O meu sono interessa e interessa-me o leite materno,

Lãs dispostas em volta dos ombros e tépidos banhos.

Que não saiba ninguém, entretanto, a razão dessa rixa!

Grande espanto traria, decerto, entre os deuses eternos

Um bebê recém-nato a cruzar os portais da cancela

A aboiar rude gado; sem senso parece o que dizes.

Nasci ontem, meus pés são macios e a terra é mui dura.

Se quiseres u´a jura farei à cabeça do Pai.

Eu declaro: de modo nenhum poderei ser culpado

Não ter visto ninguém a roubar tuas vacas agrestes,

Quantas vacas que forem. Do assunto só sei por ouvir."

E, no enquanto falava, lançava brilhantes piscadas

Por debaixo dos olhos, fitando por todos os lados,

Suspirando profundo, qual fossem de tédio as palavras.

4- Hermes como guia

Conservando seus panos nos braços sem os descartar,

Então Zeus riu-se muito por ver o pequeno treteiro

A negar com tanta arte e destreza essa estória das vacas.

Em seguida ordenou aos dois filhos que, mentes concordes,

Dessem busca, Mercúrio na frente, entretanto, de guia,

A mostrar o lugar, apesar da malícia na mente,

Onde as vacas de largas cabeças houvera escondido.

Acenou co´a cabeça, e aceitou o glorioso Mercúrio.

Porque é fácil para Zeus, o porta-égide, impor obediência.

(Tradução de Jair Gramacho)

HÉSTIA

 

Hino Homérico XXIV - A Héstia

Héstia, tu que cuidas da sagrada casa do senhor Apolo, o que atira longe a divina Pytho, com suave óleo escorrendo sempre de suas madeixas, venha agora a esta casa, venha, tendo uma só mente com Zeus o todo-sábio -- venha para perto, e conceda suas graças sobre a minha canção.

 

Hino Homérico XXIX - A Héstia

Héstia, nas altas moradas de tudo,

tanto dos deuses imortais quanto dos homens

que caminham na terra, recebeste uma estada

permanente e a mais alta honra: gloriosa é

sua porção e seu direito. Pois sem você os

mortais não fazem banquetes, onde a gente

não devidamente verter em oferta a Héstia

tanto o primeiro quanto o último. (...)

 

Hino Homérico XXIV - A Héstia

Héstia, quem, das altas moradas de tudo recebeu,

dos deuses imortais e dos homens que vão pela terra,

um lugar eterno de alta honra e nobre direito,

e digna porção, pois sem ti não há banquetes

entre os mortais, sem ofertar o primeiro e o último

a Héstia, vertendo o vinho tão doce como o mel.

   E tu, assassino do Argo, filho de Zeus e Maia,

   mensageiro dos deuses, com o bastão dourado,

   doador de boas coisas, sê a nós favorável,

   vem em nossa ajuda, com a amada Héstia e juntos

   habitem esta boa casa em amizade;

   pois sabeis as nobres ações dos homens,

   ajuda em seus pensamentos [e forças].

Saúdo a filha de Cronos,

e a Hermes do bastão dourado.

(traduções da Alexandra)

Vídeo do hino em grego, cantado pela Álex, com melodia de Melissa G.

Mp3 do hino em grego e Mp3 do hino em português.

 

Hino a Héstia de Arístono de Corinto (Século IV a.e.c)

Sagrada rainha das coisas sagradas, nós te cantamos em hino, Héstia, tu que habitas o Olimpo e o umbigo sagrado da terra e o loureiro pítico e danças em torno do templo de Apolo com as suas torres eminentes, deleitando-te com as palavras mânticas do tripé e quando Apolo tange as sete cordas da sua lira dourada e contigo enaltece em canções os deuses que festejam. Salve, filha de Cronos e Rea que sozinha faz arder o fogo nos sagrados altares dos imortais! Héstia: recompensa a nossa prece, confere riqueza obtida com honestidade, para que nós dancemos sempre ao redor do teu altar-trono cintilante.

(tradução de José M. M. Macedo, enviada por Antonio)

 

Hino Órfico 84 a Héstia, com fumigação de aromáticos:

Filha de Cronos, venerável dama, que habita entre a chama eterna do grande fogo; em ritos sagrados estes ministros são teus, místicos muito abençoados, sagrados e divinos. Em ti os Deuses fixaram sua morada, a base forte e estável da raça dos mortais. Eterna, bem formada, sempre florida rainha, risonha e abençoada, e de amável conduta; aceite estes ritos, conceda cada desejo justo, e inspire uma saúde branda e um bem necessário.

(traduzido pela Alexandra da versão inglesa de Taylor)

HIGEIA

 

Peã a Higiéia - de Arífron de Sícion, séc IV a.e.c

Higiéia, para os mortais a mais venerável entre os deuses, contigo eu possa conviver o resto da minha vida, e possas tu benigna acompanhar-me. Pois se reluz algum deleite propiciado pela riqueza ou pelos filhos, ou pelo poder régio que iguala os homens às divindades, ou pelos desejos de que saímos à caça com as armadilhas secretas de Afrodite, ou se (reluz) algum outro prazer concedido aos homens pelos deuses ou algum alívio dos pesares, contigo, abençoada Higéia, eles vicejam e brilham nas falas das Graças.Ora, sem ti ninguém é feliz na vida.

(tradução de José M. M. Macedo, enviada por Antonio)

​​​Alexandra Oliveira ​© 2020 | Desde março de 2003.

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