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Onomatodosia

A Onomatodosia era a imposição de nome. Acontecia no décimo dia após o nascimento do bebê, por isso era também chamada de Dekatê.

Abaixo trazemos dois exemplos de rituais.

1)
Abertura
O pai acende a pira do altar e invoca os Deuses:
"Deuses de Nossos Pais,
Deuses da Nação dos Gregos,
Sede favoráveis à decisão que tomamos
De apresentar esta criança às divindades
do Fogo, da Terra, da Água, do Ar
e do Olimpo."

Hino às Graças
A mãe coloca em volta do pescoço da criança um medalhão com o nome da criança. A mãe invoca as Graças:
"Graças, sagradas filhas de Eurínome e de Zeus,
mães celestes do mundo e da ordem,
brilhantes, reluzentes, virgens muito-reverentes,
companheiras de Atena Ergane e da Urânia Afrodite,
as que permanecem junto a Febo nas reuniões dos deuses,
escutai-nos e ajam a nosso favor;
envolvei-nos na sagrada luz do Olimpo,
deixando em nosso altar a paz e as graças
de uma boa aparência e de um bom interior,
da calma, da tolerância e da gentileza,
da dignidade, da devoção e do julgamento justo."

Hino às Ninfas
Feito pela mãe:
"Ninfas, filhas da Primeira Virtude
geradas por Zeus e pelo Céu
amigas eternas da maternagem
deusas aéreas e perfumadas
sede favorável e atendei nosso chamado
para ajudar na vida de ...,
como puras professoras,
auxiliadoras e guias."

Hino aos Deuses Patronos
Invocação feita pelos parentes.
(Ler um hino para cada deus patrono.)

Apresentação
O pai circunda 3 vezes com a criança em volta da pira do altar na direção contrária ao relógio, e diz para concluir o ciclo:
"Sede os deuses patronos da/do..."
Então os convidados lançam flores e frutos. A mãe continua de pé diante da pira do altar. Assim que completa a circumambulação, o pai se une a ela, ficando de pé perto da mãe. Então ele ergue a criança sobre a pira, a contempla no alto e faz a apresentação dela aos deuses e aos ancestrais:
"Deuses Imortais e gloriosos Ancestrais,
lhes apresento a/o ...,
descendente legítimo meu e de meu cônjuge,
helênica/o de helênicos,
sangue do meu sangue,
alma da minha alma.
Seja ela/e recebida/o entre os seus.
Seja ela/e unida/o aos helenos,
entre os filósofos e os cidadãos livres."

Bênção
A mãe recebe a criança nas mãos e pronuncia a benção:
"Com o maior amor que um mortal pode ter por um mortal,
o qual apenas os Deuses verdadeiramente conhecem,
peço que o/a... seja agraciada/o
com a grandiosidade que merece,
se reunindo aos helênicos,
e sendo assim conhecida por seus parentes,
como criatura humana
que será devotada aos Deuses e aos Ancestrais,
e que reverenciará o caráter e o Verbo Eterno.
Deuses da Nação dos Helenos
e nossos consagrados Ancestrais,
concedei a graça adequada a esta pessoa tão querida
que recebeu o nome de ...
e a qual acabamos de apresentar diante de vós."

Libação
Verte-se a libação tripla de perfume, leite e mel, e todos exclamam:
"Sede os deuses patronos do/da..."

Encerramento
"Saúdo os Eternos Deuses de Nossos Pais,
prestando minha devoção e fé ao Sagrado Panteão,
para que os pensamentos que compartilhamos hoje
sejam enviados e reconhecidos através da terra.
Assim seja."
Compartilha-se com os convidados os doces que estão reunidos no altar, onde também estão os presentes para a criança.

(Ritual apresentado na página do Ysee, traduzido do grego e adaptado por Alexandra Nikaios.)

~> Vídeos com Exemplos de Onomatodosia do YSEE:
























2)
Os participantes se reúnem em torno do altar, onde estão uma vela para Héstia e imagens das deidades kourotrophoi (as mais comuns são Ártemis, Deméter, Geia, Hécate, Héstia, Leto, Héracles, e as ninfas). Incenso e ofertas de bolos e leites devem estar à mão. Os participantes devem trazer algo que simbolize um presente/dom que eles desejam para a criança: um coração de pano para o amor, um livrinho para sucesso nos estudos, uma flor para a beleza, e assim por diante. Não há problema em repetir o presente, caso haja muita gente.
O ritual pode ser oficiado por um membro mais velho da família, ou líder do grupo, ou alguém que fale pela comunidade, ou outra pessoa honrada. Usamos 'ela' para a criança, mas adapte-se para o caso de um menino.

- Oficiante: Reunimo-nos hoje para dar as boas vindas a esta criança à nossa comunidade. Quem a apresenta?
- Pais: Nós a apresentamos.
- Oficiante: Qual o nome dela?
- Pais: Que ela seja chamada de [nome].
- Oficiante: O caminho que vocês seguem como pais não é fácil, há alegrias e pesares. Vocês irão cuidar dessa criança, da forma que os deuses permitirem?
- Pais: Iremos.
- Oficiante: Irão vestí-la e alimentá-la, mantê-la limpa e aquecida, e ensiná-la a viver uma vida correta? Irão educá-la nos caminhos do mundo e dar a ela as habilidades para fazer seu próprio caminho nele? Irão protegê-la dos desejos e necessidades, o quanto forem capazes? Irão cuidar dela na doença e apoiá-la na saúde?
- Pais: Iremos.
- Oficiante: E vocês, meus amigos, o que farão por esta criança?
Uma a uma, as pessoas se aproximam com suas insígnias (os presentes simbólicos que citamos acima) e expressam seus desejos para a criança, chamando-a pelo nome. Os presentes são colocados no altar. Quando todos terminarem, o oficiante segue.
- Oficiante: Possam os Deuses proteger esta criança, esta casa, e estas pessoas! Quem entre os Imortais vocês chamarão para proteger esta criança?
Um ou ambos os pais dizem uma prece espontânea para as kourotrophoi (deidades protetoras da infância), colocando ofertas a elas no altar. Todos então vertem libações aos deuses da casa. Para encerrar, os pais dizem o seguinte.
- Pais: Agradecemos a vós, [nome das deidades do lar], por sua proteção contínua à nossa família, e pedimos suas bênçãos para nós e nossa criança, [nome da criança]. Torne a vida dela doce, e que ela possa honrá-los por todos os seus dias. Vamos agora festejar com um banquete em companhia dos abençoados imortais!
Enquanto comem, pode-se abrir os outros presentes e contar histórias da infância dos membros da família. Ao terminar o banquete, colocam-se os presentes simbólicos num pequeno altar no quarto do bebê, ou no altar da família, ou amarram-se os símbolos em um fio de lá e se pendura o fio numa parede do quarto do bebê.

(Ritual apresentado no livro "Old Stones, New Temples", traduzido e adaptado por Alexandra Nikaios.)
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