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Ritual em grupo

por Alexandra, baseado no livro de Drew Campbell ("Old Stones, New Temples"):

1. Preparação:
Lavem-se, vistam roupa limpa e coloquem coroas de folhas/flores em suas cabeças. Façam-nas com galhos trançados juntos.
Antes de começar o ritual, o fogo sagrado já foi aceso. Em lugares fechados, você pode usar um suporte alto de vela. Nos tempos antigos, o fogo sagrado a Héstia era sempre mantido aceso nos lares. Por razões de segurança, você pode não querer fazer isso. Se quiser tentar, use velas de sete dias. Se fosse um ritual ao ar livre, o fogo não tinha como ficar aceso sempre e ficava aceso apenas durante o festival durante uma cerimônia especial. Ao acendê-lo, pronuncie um Hino Homérico a Héstia.
Você também vai precisar de um fogo no qual queimar as ofertas - recomendo um caldeirão de ferro preenchido com sal amargo e álcool em gel no qual é então aceso o fogo.

2. Procissão:
Os participantes vão até o altar na seguinte ordem:
A cesta de sacrifício é carregada na cabeça de uma moça inocente. Esta cesta contém a faca a ser usada para o sacrifício, oculta entre cevada ou bolos.
Um vaso contendo água é carregado pelo carregador-de-água (hydrophoros).
Um queimador de incenso.
Tochas. Na falta de tochas, use velas.
Um ou mais músicos - em tempos antigos, um tocador de flauta.

3. Circumambulação:
O círculo é marcado pelo carregar do cesto de sacrifício e vaso de água pelas pessoas que os trouxeram. Todos ficam parados em torno do altar enquanto as pessoas que trazem o cesto e a água caminham em volta dos participantes, do animal a ser sacrificado, do altar e do próprio local. "O sagrado é delimitado do profano".

Agora vai começar a preparação para o sacrifício.

4. Katarchesthai (ou "um começo"):
A água é derramada do vaso sobre as mãos dos participantes. O animal também é borrifado com água. Em tempos antigos, o animal devia tremer ou acenar com a cabeça, o que significava que ele assentia em ser sacrificado. Em vez de um animal, a gente pode substituir parte do banquete que está para ser comido - carne é obviamente recomendada - ou algo para representar o animal.
Cada um dos participantes enche a mão de cevada e a atira no animal e no altar, todos juntos.

5. Aparchesthai (ou "último começo"):
A faca de sacrifício é descoberta
A pessoa que fará o sacrifício (sacerdote/sacerdotisa do ritual) oculta a faca e vai até o animal e corta parte de seu cabelo/pêlo e o atira no fogo.

6. Prece ou Hymnodia:
Aqui é quando você recita um hino apropriado ao deus/a ou deuses entre os hinos de Homero ou dos Órficos. Normalmente se escolhe um apropriado para a ocasião ou o festival. Esta é a parte principal da cerimônia.
Nota (observação de outro autor): "Primeiro se carrega o cesto, o vaso de água, as tochas, e se conduz o animal; depois vem os estágios do começo, a prece, o abate, o esfolamento, e o desmembramento; depois vinha o ato de assar, primeiro do 'splanchma' (fígado), depois do resto da carne, então as libações de vinho, e finalmente a distribuição da carne" (Walter Burkert, no livro "Greek Religion").
Nessa ordem, a prece claramente acontece depois dos estágios de início citados acima.

7. Sacrifício:
Animais menores são erguidos sobre o altar, ou então são deixados parados de pé no altar.
Antigamente, a garganta era cortada. Aqui seria quando se cortaria a carne ou oferta em comida - talvez possamos ser criativos e encontrar um modo de rechear ou cobrir uma carne ou frango com azeite.
O sangue era coletado em uma bacia e espalhado sobre o altar (normalmente feito de pedra). Então, azeite de oliva pode ser conveniente para isto, como descrito acima.
Uma mulher grita em "altos tons agudos".
O animal era então esfolado e abatido, os órgãos internos assados no fogo. Se você estiver ao ar livre, pode incluir uma pequena contra-tampa de grelha no topo do altar perto do fogo onde as ofertas estão sendo queimadas.
A primeira prova da carne/oferta era "privilégio e dever do círculo mais interno de participantes", incluindo o sacerdote/sacrificador. O que era comido a este ponto era uma pequena parte do animal/oferta. Isto pode ser replicado cortando um pedaço de qualquer comida que você estiver sacrificando.
Os ossos e outras partes não-comestíveis do animal/oferta foram consagradas ao serem postas no fogo. Era costume oferecer a primeira porção do sacrifício para Héstia.
Comida e outras ofertas eram queimadas, incluindo vinho, bolos e caldos.

8. Libações:
Leite, mel, vinho, azeite de oliva, ou água, eram tradicionais. O mais comum era vinho. Tradicionalmente, uma pessoa verte a oferta, clama "Sponde!" (pronúncia: spon-DÊ), que significa "uma oferta líquida". Se isso for feito ao ar livre ou se você estiver usando o caldeirão de ferro descrito acima, a libação é vertida no fogo. De outra forma, você pode vertê-la dentro de um recipiente o qual é levado para fora mais tarde. Uma variação disto é ter cada um dos participantes recebendo taças de vinho individuais. Eles bradam "Sponde", dão um gole, depois libam. Era freqüentemente habitual oferecer a primeira e última da libação para Héstia, como vemos no Hino Homérico a Héstia.

9. Refeição ritual:
A este ponto, você declara que o ritual acabou, e a este ponto você come um banquete especial, tanto sozinho quanto com convidados. Aqui é onde o resto da carne é distribuída para o resto dos participantes do ritual.
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