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Asclépio_

Fala Asclépio

Vejo-te sofrer e sinto a tua dor, pois também eu já fui mortal. Em dores clamas pelos Deuses e ergues as tuas mãos para Eles e, lá do cimo, o meu pai vigia com a sua coroa dourada. Mas não te esqueças das sombras que a luz traz, das terríveis flechas e da espada dourada, lembra-te sempre das pragas e da devastação, da noite e da morte, pois o Senhor da Luz é também o Senhor das Trevas que te espera no portão do Hades com um templo de aniquilação.

Mas até então eu estou lá para ti, eu estendo-te a minha mão enquanto a minha filha te conforta com o calor dos seus braços. Eu sou aquele que primeiro era venerado com fogo pelos anciãos e sábios, ensinava sobre as ervas e os elementos vergavam-se ante o poder curativo dos meus sacerdotes. Então os templos tornaram-se a minha casa e aconselhava-vos na doçura do sono. E agora os meus templos enchem-se com o aroma do éter e dos remédios e os meus sacerdotes vestem-se de branco e ajudam com o frasco do conhecimento que uma vez o meu mestre Quíron e a poderosa Atena me ofereceram.

Podes chamar-me – eu vou ouvir e a minha filha responderá. Mas não te esqueças da ordem natural, pois eu sou um Deus poderoso com origem de ouro, mas Thanatos é tão meu pai como Paian e a eles devo obedecer: o que está morto não será erguido e o que morrerá não será salvo.

Mas saúda Asclépio, pois até o que está morto deverá ser respeitado e o que morrerá ainda pode ser confortado e a sua dor aliviada. Não desesperes, pois eu estou atento.

(Miguel Oliveira)
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