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Adônis

Choro Adônis; os amores respondem ao meu pranto.
Uma cruel ferida dilacerou Adônis, mas Afrodite traz outra, muito mais profunda, no âmago do coração.Em torno do jovem caçador, os seus fiéis cães uivaram, e as ninfas das montanhas estão desfeitas em lágrimas.Afrodite, transtornada,erra pelas florestas,triste, descabelada, pés nus; os espinhos a ferem e se tingem do sangue divino; ela enche os ares de queixumes, atira-se através dos longos vales , exige aos brados o formoso assírio que foi seu esposo! Entretanto, um sangue negro jorra do ferimento de Adônis, e lhe mancha o peito de marfim. Ai! Infeliz Afrodite! Exclama os Amores, chorando. Perdeu o formoso marido, e com ele os encantos divinos. Era bela, Afrodite, quando Adônis vivia; com Adônis desapareceram os atrativos da deusa. Ai, ai! Todas as montanhas e florestas repetem: “Ai, Adônis!” Os rios sentem a dor de Afrodite; as fontes, nas montanhas, choram Adônis, e os rios, na sua tristeza, se tingem de sangue. Citeréia faz ecoar a sua dor pelos montes e vales: “Ai,ai ! Já não existe o belo Adônis!” Quem recusaria lágrimas à infeliz Citeréia? Ai, ai, não repouses mais sobre uma camada de folhas; levanta-te, infortunada deusa! Veste o luto, bate o seio e diz à natureza: “Já não existe o belo Adônis!“

(Bíon de Esmirna, II AEC)

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