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Pyanepsion (Apellaios)

PROEROSÍA (Προερωσία) - Festival para obter as bênçãos de Deméter na preparação para o arado e semeadura na estação agrícola (proerosia = coisas antes do tempo de cultivo); em tempos antigos isso era feito nos Eleusis. Este festival imediatamente precede a Pyanepsia, que é feita em honra de Pythian Apolo, porque Seu oráculo disse aos Atenienses para iniciar a Proerosia a fim de levar a fome (escassez absoluta) mundial ao seu fim. Sob o comando de Hierophantes, o Arauto Sagrado proclama a Proerosia, reconta o mito de sua fundação, e chama pela oferta dos primeiros frutos (na maioria das vezes cereais, especialmente cevada e trigo).

PYANÉPSIA (Πυανέψια) - O Pyanepsia é um festival dos recentes frutos colhidos no outono que recorre às bênçãos divinas para a semeadura no mesmo outono. Esse festival muito antigo era no princípio em honra de Phoebos Apolo como deus sol, mas também para Hélio (Sol) e as Horas; todos são considerados deidades vegetativas, talvez por causa da Sua conexão com o sol. Mais tarde, desde os tempos Miquenianos os Atenienses nativos têm considerado eles mesmos como descendentes do Sol (a quem os Miquenianos podem ter chamado de Pa-ya-wo = Phoibos = Brilho) e Ge (Terra). Além disso, o festival é celebrado no sétimo dia, e em cada sétimo dia de cada mês grego (que é o primeiro quarto da lua) o aniversário de Apolo é celebrado. Na procissão cada Pais Amphithales (Criança com Dois Pais Vivos) carrega uma Eiresione. Tipicamente uma Eiresione é um ramo de oliveira carregado por um suplicante e envolto com lã (eiros = lã), mas nesse caso é um ramo de louro (consagrado a Apolo), talvez com dois ou três pés de comprimento, decorado com frutas de verdade e com modelos de harpas, copos e ramos de videira, feitos de massa (de confeiteiro), todos símbolos de frutificação. Numa espécie de Prendas-ou-Travessuras as crianças levam a Eiresione a cada casa e cantam: 'A Eiresione traz ricos bolos e figos e mel em um jarro, e óleo de oliveira para santificar você, e copos de vinho maduro que você pode beber e adormecer'. Se o ocupante da casa dá um presente às crianças, ele ganha uma Eiresione que abençoa a casa pelo resto do ano. Normalmente ela é amarrada acima da porta da casa, assim como era amarrada acima da porta do santuário de Apolo quando a procissão chegava. Se nenhuma Pais Amphithales vier à sua casa, você pode abençoá-la você mesmo com a sua própria Eiresione. O festival deriva seu nome de um cozido de feijões (pyanon epsein = cozinhar feijões) e outros vegetais leguminosos e cereais que são cozidos num pote (khytros) e dividido pelos celebrantes e o Deus; esse cozido é uma típica Panspermia (Todas-as-Sementes) grega. De acordo com a lenda, essa era a oferenda votiva que Teseu e sua tripulação fizeram a Apolo quando ele retornou para a Grécia naquele dia, com tudo o restava de suas provisões. Por outro lado, também é um típico ritual de semeadura, para 'combinar' que todas as plantas comestíveis fossem semeadas e divididas com o Deus, rezando para que o próximo ano fosse abundante.
[Veja uma receita de Panspermia clicando AQUI.]

THESEÍA (Θησεϊα) - O oitavo de cada mês é consagrado a Poseidon, então é apropriado que Seu filho, Teseu, seja honrado no dia seguinte à Pyanepsia e Oskophoria (assim como no oitavo dia de cada mês). Há uma procissão, sacrifícios, jogos atléticos (times com corridas de tochas e eventos de pista e campestres), e uma festa na qual carne é distribuída para as pessoas (celebrando Teseu como benfeitor popular e herói democrático). A festa inclui Athare (ou Athera), uma refeição de trigo descascado cozinhado em água e leite.

STÉNIA (Στένια) - A Thesmophoria propriamente é precedida por dois dias pelo Stenia, um festival noturno de mulheres para Démeter e Perséfone em preparação para a Thesmophoria. As mulheres se envolvem numa Aiskhrologia (linguagem suja, abuso), proferindo insultos umas a outras para comemorar o modo com que Iambe fez a ofendida Démeter rir (veja os Hinos Homéricos a Démeter). Também pode ser por causa de quando os Thesmoi (Coisas Deitadas) eram colocados nas cavernas do santuário de Démeter; que incluem modelos (em massa de farinha) de cobras e genitália masculina e carne de leitões sacrificados, e outros símbolos de fertilidade (porcos por causa da sua fertilidade); desse modo o túmulo da Mãe é fertilizado; e eles irão ser removidos na Thesmophoria apropriada. (Outros dizem que os Thesmoi são depositados na Skirophoria).

THESMOPHÓRIA (Θεσμοφόρια) - ANODOS
(Ascensão) - Festival oriundo dos cultos neolíticos de celebração da colheita dos cereais e oferenda de leitões. As mulheres se reuniam e praticavam rituais relacionados à fertilidade das plantações, animais e pessoas. Durante a Thesmophoria, as mulheres acampam por três dias no Thesmophorion, o santuário ao lado da colina, de Démeter Thesmophoros, a guardiã da lei. Sob a direção de duas Arkhousai (Oficiais), as mulheres seguem em procissão com os suprimentos necessários para três dias e duas noites, e demarcam seu acampamento, que é organizado em fileiras de abrigos ou barracas com corredores entre eles. As mulheres dormem no chão, geralmente duas por barraca.

THESMOPHÓRIA (Θεσμοφόρια) - NESTEIA (Abstinência) - Dia em que todos jejuavam, prisioneiros eram libertados, anistias eram conferidas, julgamentos suspensos e todos veneravam Démeter. Neste segundo dia as mulheres sentam no chão e se abstém de toda comida sólida, em humildade e simpatia pelo pranto de Démeter (quando ela também recusou uma cadeira), mas também para transferir sua força ao solo. Quando a fome começa a atormentar seus estômagos, elas também se envolvem numa Aiskhrologia (linguagem abusiva); algumas dizem, relembrando Iambe e Démeter, que seus insultos são falados em versos iâmbicos, a métrica tradicional de escárnio (de gozação). As mulheres podem também chicotear umas às outras com um açoite feito de morotton (casca de árvore trançada). A obra 'Thesmophoriazousai' de Aristófanes contém dois belos hinos típicos dessas canções do dia, mas eles são longos demais para serem reproduzidos aqui. Diz-se que neste dia invocava-se a justiça divina para aqueles que tinham transgredido as leis, ofendido a moral da comunidade ou agredido as mulheres.

THESMOPHÓRIA (Θεσμοφόρια) - KALLIGENEIA (Descendência Honesta) - A caída da noite traz o início oficial do terceiro dia, e há uma cerimônia à luz de tochas, por causa da visão que Démeter teve de Perséfone à luz da tocha. Dizem que nesse momento havia o ritual de Kathodos e Anados, a cerimônia do "ir abaixo e voltar para cima", quando os Thesmoi são removidos da terra pelas sacerdotisas chamadas Antletriai (conchas, baldes), de quem a pureza nos três dias do ritual (incluindo abstinência sexual e o evitar contato com objetos de ferro) é requerida. Enquanto as mulheres batem palmas para afastar as cobras sagradas que guardam as cavernas, as Antletriai entram nas grutas -- vestidas com túnicas vermelhas --, coletam os Thesmoi em cestas, e colocam a matéria emputrecida (geralmente leitões) no altar de Démeter e Perséfone, ou seja, nas fendas da caverna. Era um ritual perigoso, pois nessas fendas existiam serpentes que se alimentavam das oferendas. As sacerdotisas as espantavam com chocalhos. Mais tarde, o "composto" é removido do altar e misturado com grãos para ser semeado no mês seguinte (entre novembro e dezembro). Era uma fertilização mágica, feita pelas mulheres que não tinham tido nenhuma morte em suas famílias. Neste rito, podemos observar a regra do círculo da vida e morte na fertilização da Terra. O jejum acaba e o resto do dia é pleno de celebrações de júbilo pelos presentes das belas crianças, até que as mulheres desarmam o acampamento e voltam para casa.

KHALKEÍA (Χαλχεία) - Nestes dois dias os Ergastinai (Trabalhadores), incluindo a sacerdotisa e os Arrhephoroi (veja Arrhephoria), colocam lã no tear para fazer o tecido do novo peplos (manto) de Atena, que será tecido por nove meses e será presenteado a Ela na PanAtenaia. A decoração, semelhante a uma tapeçaria, representa em cores brilhantes, como o amarelo e o azul, a Gigantomaquia, uma especial defesa de Atena aos Enkeladus.
Como celebrar hoje: É um dia de artesanatos ou de descansar deles? Pode ser um bom dia para começar um projeto de longo prazo, principalmente um que contribua para um festival posterior do calendário. Leia o Hino Homérico XX a Hefesto e Atena, assim como o Hino Órfico 32 a Atena também.

OSKHOPHORIA - A Oskhophoria é um festival da vindima e do fazer-vinho, em agradecimento a Dionísio, feito no mesmo dia da Pyanepsia, quando os Mistérios de Dionísio também aconteceram. Nós podemos achar que os dois são aparentemente pólos opostos, Dionísio e Apolo, sendo honrados no mesmo dia, mas nós não devemos esquecer que Eles também dividiram o santuário em Delfos: Apolo era honrado no verão e Dionísio no inverno (quando Apolo estava na Hyperborea). Uma antiga krater (tigela de mistura) mostra-os apertando as mãos sobre o Omphalos em Delfos. Há uma procissão do templo de Dionísio para o templo de Atena Skira, porque a colheita da uva é um aspecto do interesse Dela no bem-estar da comunidade (cf. o Arrhephoria e Skirophoria, ambos no meio de junho). Esse aspecto de Atena pode derivar da deusa vinícola Skiras, adorada em Salamis, uma vez que ela foi até Atenas (veja a explicação do festival de Skirophoria para outra idéia do significado de skira). A procissão é liderada pelos dois Oskhophoroi (Portadores dos Ramos da Videira), jovens homens que carregam ramos ainda com uvas (oskhoi) e são vest idos como mulheres, o que relembra a androgenia de Dionísio, já que eles usam a mesma Ionic khiton (túnica que vai até o tornozelo) como Ele às vezes faz. Atrás deles vem um coro cantando hinos especiais ao Deus. Eles são acompanhados por um arauto, que tem uma coroa (guirlanda) em volta de seu bastão, e não em volta da sua cabeça, como seriam os costumes normais. Isso se explica pelo mito de Teseu: quando seu arauto disse aos Atenienses da volta de Teseu, nos seus júbilos eles tentaram coroá-lo com uma coroa de flores, mas ele se recusou porque ele tinha sabido da trágica morte do pai de Teseu. Então ele voltou a Teseu com a coroa de flores no seu bastão. A procissão também inclui Deipnophoroi (Portadoras do Jantar), mulheres que trazem a comida da festa sagrada que segue o sacrifício. Uma porção de carne é queimada para o Deus e uma parte é comida pelos celebrantes; o resto é dividido para ser levado para casa. Estórias são contadas durante a festa, especialmente a estória de Teseu e Ariadne, e como ela foi reivindicada por Dionísio. O Deipnophoroi representa a Mãe dos Duplo-Sete, que traz a carne, pão e estórias acalentadoras para suas crianças, as sete donzelas e sete mocinhos escolhidos para navegar até Creta para serem sacrificados ao Minotauro (uma confrontação ritual das "Belas" com a Fera). A lenda também explica o porquê do travesti Oskhophoroi, que foi porque Teseu escolheu dois garotos com aspectos femininos, e treinou-os para andar e agir como garotas, então eles seriam substitutos para duas das sete garotas, e eram destinados a proteger os outros. No festival eles carregam ramos de videira e lideram a procissão, e eles representam o triunfo de Teseu, em agradecimento a Dionísio e Ariadne. Quando a procissão chega no santuário, há canções, tanto alegres como tristes, e libações são feitas ao Deus, seguidas por gritos de: "Eleleu! Iou! Iou!". Um brado um tanto paradóxico, já que "Eleleu!" (pronunciado "e-le-LU!") é um grito de encorajamento (de elelizo, para reunião), e "Iou!" (pronunciado "iú!") é um grito de aflição (do latim Heu!). Isso era explicado pela mista alegria e pesar da volta de Teseu e morte de seu pai, mas também celebra a morte e a ressurreição de Dionísio como um Deus Vegetativo. Recomenda-se, neste dia, misturar vinho da safra anterior com a atual e beber um copo, pedindo a cura dos males antigos e recentes.

APATYRIA - ANARRHYSIS (Sacrifício) - Sacrifícios são feitos a Zeus Phratrios e Atena Phratria, que vigiam os Phratriai. Às vezes Dionísio é também incluído, o que é explicado pelo mito da luta entre Melanto, o Rei Sombrio, e Xanto, o Rei Justo. Dionísio, aparecendo a Melanto numa pele de cabra negra (Melainaigis), o distrai, e permite que Xanto o corte (o atinja). Hefesto também pode ser honrado neste dia.

APATYRIA - KOUREOTIS (Juventudes) - Neste dia há muita celebração pelos novos membros que são introduzidos à Phratria; para muitos isso será feito no primeiro dia de Apatyria depois que eles nascem, embora a introdução completa só seja feita na puberdade (quando eles devem oferecer seu cabelo cortado aos Deuses). Uma esposa também pode ser introduzida depois de se casar com um membro da Phratria. Logo, pode-se tornar um membro pelo nascimento, pela entrada na vida adulta ou pelo casamento. Em cada caso o parente ou outro responsável deve financiar o sacrifício de introdução.

APATYRIA - EPIBDA (Dia Seguinte) - Não é uma parte formal do festival, mas uma "manhã seguinte" para a recuperação das festanças (orgias) precedentes. (Há muita bebida durante a Apatyria).

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