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Hekatombaion

ANO NOVO ATENIENSE - No começo do ano ateniense, os magistrados faziam sacrifícios a Zeus o salvador da cidade (Zeus Soteros) e a Atena a salvadora (Athena Soteiras) na véspera. Eles esperavam proteção para a cidade no ano que iniciava. O primeiro ato do novo arconte era proclamar que tudo o que todos possuíam continuaria sendo deles. Todos os negócios do ano anterior tinham que ser completados antes do ano terminar, incluindo julgamento criminais que não poderiam ser deixados pro ano seguinte.
Como celebrar hoje: Faça ofertas a Zeus Soteros e Atena Soteiras pedindo por sua cidade ou município na véspera do ano novo ateniense.

KRÓNIA (Κρόνια)
 - O Kronia é um festival cretense em honra de Cronos como o deus da colheita de grãos, que é representado com um gancho de ceifar. Neste dia, uma ceia com a safra celebra o final da colheita. Mais claramente, esta é uma celebração da Era de Ouro regida por Cronos e Réia, quando não havia trabalho laborioso nem opressão. Uma vez que essa era se deu antes de Zeus trazer ordem ao mundo, o Kronia é um festival caótico. Em tempos antigos, era permitido aos escravos correrem desordenadamente pelas ruas e serem convidados por seus senhores a suntuosos banquetes. Durante o Kronia, nós temos a permissão de um retorno temporário à Era de Ouro, à igualdade, à luxúria, ao ócio e à liberdade irrestrita. Antigamente, vestia-se um manto de linho branco e um amuleto de osso de porco com Zeus segurando uma foice. O cedro era associado ao sangue de Kronos.
Sugestão de celebração atual:
TEMA: Liberdade.
RELATO: Para honrar Cronos, pai de Zeus, todos os escravos eram libertos este dia e nenhum negócio era fechado. No banquete, os senhores jantariam com os escravos.
IDÉIAS DE DECORAÇÃO: cordas, correntes, bandagens, tudo o que lembrar escravidão.
VESTES: Roupas de linho ou algodão branco e um amuleto de madeira de cedro. Se você não conseguir esculpir ou desenhar bem, as imagens do amuleto podem ser estilizadas a simples raios e uma foice.
LÍQUIDO DO RITUAL: bebida com mel.
COMIDAS DO RITUAL: comidas amarradas com barbante, como salame e pamonha (cortar o barbante representa se libertar), pratos com grãos (por Cronos ser um deus dos grãos).
INCENSO: de cedro.
ATIVIDADES: Comece a trabalhar em se libertar de algum vício, um relacionamento opressivo, uma situação de dívida financeira etc. Começar ao pôr-do-sol da noite anterior, começar a pensar em como você se libertará e como sua vida será quando estiver livre. Durante toda a vigília da noite (ou de manhã cedo) dê um passeio longo e silencioso na natureza, contemplando a sua libertação e o que Cronos pode fazer para lhe ajudar nisso. Procure por sinais de corvos (o pássaro de Cronos).
BANQUETE: Durante o banquete, sirva duas porções extras, uma para Cronos pela ajuda dele e uma para a coisa da qual você está tentando se livrar (seu ‘senhor’, por assim dizer). Exemplo de prece: "Chamo por Kronos, Filho de Urano e Géia, Pai do trovão e do raio, Fundador do mundo inabitado, Que teve o reino tomado por seu filho, E foi atado a Hélio em grilhões de aço. Mostre-me uma forma de liberdade financeira. Ajude-me a sair das adversidades monetárias. E eu farei um altar em sua honra E lhe verterei libações por um ano." [Reescreva a prece acima com aquilo do que você deseja se libertar e o que você oferece em troca.]
(Fonte: Dennis Dutton, 2006, traduzido e modificado por Alexandra Nikaios.)

SYNOIKIA (Συνοίχια) / Synoikesia [associação] - é um festival em honra à "Poliouhos" (guardiã da cidade) Palas Atena, em memória dos vilarejos arcaicos amalgamados por Teseu para formar uma cidade organizada (Atenas).

PANATHENAIA (Παναθήναια) - A Panathenaia é, de fato, a celebração do nascimento de Atena, de acordo com a tradição que diz que foi no dia 28 de Hekatombaion que Ela irrompeu da cabeça de Zeus (representado no frontão triangular do lado leste do Parthenon). Embora seja o dia dela, todos os Olimpianos atendem às festividades (como vemos no friso leste), porque todos eles estavam presentes no nascimento dEla. Esta é uma festa sagrada, na qual os deuses e mortais celebram juntos o nascimento de Atena. O dia anterior à procissão Panathenaica é chamado de Pannykhis/Ponnykhis (Vigília de Noite-Inteira, com corridas de tochas, danças de virgens e jogos juvenis; um aspecto comum dos festivais gregos, uma vez que eles começam ao pôr-do-sol). Ao nascer do sol, o fogo sagrado é tirado do altar de Eros na Academia, onde um sacrifício foi feito a Eros e Atena (na Academia também há um altar a Prometeu, que trouxe o fogo aos mortais), e uma corrida de tocha leva o fogo para o altar de Atena. A cada quatro anos, a Panathenaia Maior é feita, para a qual um novo peplos (manto) é tecido para a Deusa (Seu presente de aniversário). Em sua faixa central de painéis se apresenta a Gigantomaquia, a batalha dos Gigantes contra os Olimpianos (representada nas métopas leste do Parthenon), que simboliza o triunfo da civilização sobre a selvageria. A procissão traz o peplos até a cidade, pendurado como uma vela no mastro de um navio com timão, o qual é pilotado por sacerdotes e sacerdotisas adornados com guirlandas coloridas. Epheboi (jovens rapazes) montados podem acompanhar a procissão. O navio é deixado na entrada dos precintos sagrados e o manto é carregado pelo resto do caminho sozinho ou no mastro. Na cabeça da procissão Panathenaica estão as Kanephoroi, as garotas enfeitadas de ouro, que carregam as Kana, as sagradas cestas de oferendas, as quais são dadas aos mestres-de-cerimônias no altar. As Kana contém a cevada que é atirada sobre o sacrifício e que cobre os implementos sacrificiais escondidos nas Kana. (Veja "Sacrifício Neoclássico", para mais detalhes.) Depois vêm as Ergastinai (Trabalhadoras), que teceram o novo peplos, e outras garotas trazem tigelas e jarros (cântaros/moringas), incensários e implementos adicionais do ritual. Em tempos antigos, a procissão se dividia em duas filas. A fila do norte trazia uma vaca para Atena Polias, a guardião da cidade na Era do Bronze, e uma ovelha para Pandrosos (uma das filhas de Kekrops). Elas eram sacrificadas no altar do Velho Templo, o qual as deusas compartilhavam, e a carne assada era comida pelos sacerdotes e funcionários públicos. Esse rito de local fechado é mais velho que o sacrifício ao ar livre, o qual era destinado à fila do sul, que trazia gado para Atena Parthenos, a padroeira da democracia, até o Grande Altar, fora do Parthenon, onde a carne assada era dada ao público. Na procissão mais sagrada do norte, o(s) vitorioso(s) da corrida de tocha (um vitorioso na Panathenaia Menor, e todos os quatro na Maior) devem trazer água para o sacricífio nos hydria (jarros d’água) que eles ganharam nas corridas; eles serviam como Hydriaphoroi (Carregadores de Água). Eles são seguidos por músicos, tanto tocadores de lira (Kitharodoi) quanto flautistas (Auletes), uma vez que a música normalmente acompanha os sacrifícios. Os músicos eram elegantemente vestidos, por exemplo, em khiton (túnica) com mangas, um peplos (manto) e uma himation (capa), como vemos no friso norte do Parthenon (nas placas VII e VIII). Em ambas as filas há os Skaphephoroi (Carregadores de Bandeja), jovens homens vestidos em becas púrpura, que carregam em seus ombros bandejas de bronze ou prata com bolos/tortas e favos de mel. (Eles seguiam os vencedores da tocha na procissão do norte e o gado na procissão do sul.) Depois dos Carregadores de Bandeja, vinham na procissão os Thallophoroi (Carregadores de Ramos), Idosos bem-aparentados, que carregavam galhos das árvores sagradas de oliveira, e os outros celebrantes. Os Não-Helenos (nãogregos) carregavam ramos de carvalho. O número 4 organiza a procissão: quatro Hydriaphoroi, quatro Kitharodoi, quatro Auletes, quatro ovelhas e quatro vacas. O peplos é retirado do mastro, se necessário, e dobrado por um jovem garoto ou garota e um sacerdote (o Arkhon Basileus), que o dará para a sacerdotisa de Atena Polias. A garota pode ser uma das Arrhephoroi (veja o festival da Arrephoria no mês de Skirophorion), que eram as filhas rituais do Arkhon; o garoto, que é seu filho ritual, pode ser o rapaz encarregado de alimentar a Cobra Sagrada. Eles correspondem às três filhas e o filho de Kekrops, o homem-serpente que foi o primeiro rei de Atenas e um grande benfeitor das pessoas. Crianças participam de muitas outras formas; algumas carregam accerai (do latim, caixas de incenso) para preencher os thymiateria (incensários). Elas também carregam pequenas e sagradas mesas e cadeiras, que são arrumadas para entreter as deusas ctônicas (da terra) aliadas com Atena: Pandrosos (Toda Orvalhada) e Ge Kourotrophos (Mãe Terra Cuidadora, a padroeira das enfermeiras). Ge Kourotrophos tem a cadeira maior, uma vez que Ela é mais importante que Pandrosos, pois Ge recebe a prothyma (primeira oferenda) de todos os sacrifícios atenienses, talvez cevada do Kanoun (cesto sagrado) ou bolos de mel trazidos pelos Carregadores de Bandeja (ambas oferendas típicas a deidades ctônicas). A cidade é especialmente agradecida a Ela pelas lindas crianças e jovens mulheres, que caminham juntas na procissão. O trigésimo Hino Homérico agradece a Mãe Terra pelas condições bem-ordenadas da beleza das mulheres; onde seus filhos exultam com alegria e jovial folia; suas filhas tocam em danças de espalhar flores, com o coração feliz, e saltando sobre campos em flor. “Assim dadas a Ti, Sagrada e Rica Divindade”. Note que, como as vítimas do sacrifício, que devem ser livres de máculas, pessoas bem-aparentadas e distintas (hoi kaloi k’agathoi) são proeminentes na procissão - a Deusa é honrada com o melhor que a cidade tem a oferecer. O novo peplos é colocado nos joelhos de Atena como um presente, e é mais tarde armazenado com os tesouros; ela não ‘troca de roupa’ desta vez, isso é feito no festival da Plynteria. Sacrifícios são também feitos para Atena Hygieia (Deusa da Saúde) e Nikê (da Vitória). Na Panathenaia Maior, os três ou quatro dias seguintes à procissão são ocupados por Agones (competições) esportivas (corridas, boxe e luta-livre) e artísticas (música, poesia). Traditionalmente o prêmio para os atletas é uma ânfora Panathenaica contendo óleo de oliva do bosque sagrado da deusa; e o prêmio para os artistas é uma coroa dourada de olivas silvestres, e às vezes dinheiro. Podem haver competições para as crianças, nas quais elas são premiadas com coroas planas de oliveira. Dez funcionários públicos chamados de Hieropoioi (Administradores dos Ritos) organizam a Panathenaia Menor; os dez Agonothetai (Diretores das Competições) administram a Maior.
Sugestão de celebração: Adaptação da Panathenaia para 2 dias - por Thiago Oliveira.

APHRODISIA - Este é o festival do banho de Afrodite Pandemos (Afrodite de Todas as Pessoas) e Peitho (Persuasão), Sua ajudante, que têm sido consideradas deusas poderosas desde o período arcaico; elas são tanto deusas da guerra e diplomacia quanto deusas do amor. Primeiro o templo era purificado (em tempos antigos, com o sangue de uma pomba, o pássaro de Afrodite) e o altar era ungido. Era celebrado na Grécia e em Chipre, como um festival pan-helênico com banquetes, danças e jogos atléticos.
Hoje em dia, nós podemos dedicar uma rosa limpa para Ela e ungir o altar com óleo puro de rosas. (Maçãs, flores de macieira, e sprays de murta também são apropriados). Finalmente, as imagens sagradas são carregadas em uma procissão até um lugar onde elas são lavadas (reveja o festival da Plynteria no mês de Thargelion para saber mais sobre festivais de lavagem).
Sugestão de celebração:
  • Faça o ritual de purificação como de costume. Use essências de rosa ou mirra.
  • Consagrado o fogo do altar a Héstia, verta a primeira libação a ela: "Spondê, Héstia, guardiã do fogo sagrado, a ti sempre o primeiro e o último!"
  • Leia hinos antigos a Afrodite e faça uma libação a ela. Diga algo do tipo: "Honramos o amor e a beleza e por isso nos reunimos em teu nome, Afrodite de muitas formas." Aqui você pode citar os epítetos dela, por exemplo: "Aprodite Citéria, tua é a ilha de Chipre. Afrodite Pelagia/Aligena/Anaduomene, que se ergue das espumas do caloroso mar. Afrodite Khryse (Dourada), mais valiosa que todo o tesouro da terra. Afrodite Pasiphaessa, cujo brilho poderia iluminar a mais escura noite."
  • Então cada participante se aproxima do altar e amarra ou coloca uma fita na estátua de Afrodite, de preferência com uma prece ou oferta verbal (hino, canção, poesia) junto.
  • Depois vem o sacrifício, as ofertas de maçã (lavada), rosa (com gotinhas d'água) e outras que possam lhe agradar. Diga algo do tipo "Bela e gentil Afrodite, companhia da alegria e conforto na tristeza, lembra-te das vezes que te honrei com preces e das vezes que te verti libações e te recitei hinos, e abençoa-me agora."
  • Faça uma libação final aos olimpianos: "Spondê, deuses imortais do Olimpo, juntem-se a nós!", uma a Afrodite, dizendo algo do tipo: "Amada Afrodite, deusa querida, digna de exaltação; agradecemos-te por tuas bençãos: pelo amor, pela paixão, pela perda e a espera, pelo desejo e a realização; por tudo te agradecemos, te adoramos e te honramos!" e uma a Héstia: "Spondê, Héstia, guardiã do fogo sagrado, a ti sempre o primeiro e o último!"
  • Termine o rito como de costume.

ADONIA -
Festival a Adônis, celebrado exclusivamente por mulheres, por serem normalmente elas as que pranteiam os mortos.
Durava dois dias. No primeiro elas levavam estátuas de Adônis às ruas e faziam um funeral das mesmas, proferindo lamentações e se batendo, para imitar os gritos chorosos de Afrodite pela morte de seu amado. No segundo dia, havia alegria e banquetes, pois Adônis retornara à vida e passa metade do ano com Afrodite.
Durante esse festival, as mulheres plantavam em cestos e potes rasos os "Jardins de Adônis", feitos de cevada, trigo, alface, erva-doce e outras plantas que germinam rapidamente nos telhados das casas. Elas brotam rápido, mas também morrem logo, devido a seus sistemas de raizes não-profundas, então elas eram descartadas ao final de oito dias, junto a outras imagens do deus.
A data do festival tem sido debatida. Ele era relacionado com o ciclo da lua nova no mês de Hekatombaion.
Trecho de livro em português sobre o festival.

EISETERIAFestival em honra de Zeus Boulaios e Athena Boulaia no dia 1º de Hekatombaion.

HEKATOMBAIACelebração com grandes ritos rites em honra de Apollon Hekatombaios e Zeus Hekatombaios no dia 7, dia de Apolo.

ARTEMISIAFestival em honra de Artemis no dia 21.

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