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Doze Dias Dionisíacos

Os Doze Dias de Dionísio são comemorados a partir do pôr-do-sol de 24 de dezembro de cada ano. O ponto mais importante desse ritual - lembrado pelo pessoal do HellenicGods.org - é que Dionísio é um deus libertador, que não quer te prender a nada. É um ritual para se libertar e libertar os outros e esperar que eles libertem terceiros, a fim de procurarmos ser todos livres e independentes. É seguindo esse princípio de liberdade que me permiti fazer algumas modificações na proposta deles para essa celebração.

O site HellenicGods propõe uma associação dos olimpianos com o zodíaco, a qual eles configuram como a seguinte: Héstia (Libra), Ares (Escorpião), Ártemis (Sagitário), Hefesto (Capricórnio), Hera (Aquário), Poseidon (Peixes), Atena (Áries), Afrodite (Touro), Apolo (Gêmeos), Hermes (Câncer), Zeus (Leão) e Deméter (Virgem). Porém, embora algumas sejam compreensíveis por conta do planeta regente, não é explicado o motivo de certas outras relações. A meu ver, o que faria mais sentido seria termos: Héstia (Virgem), Atena (Libra, pela justiça), Ártemis (Escorpião, por causa de Órion), Apolo (Sagitário, o arqueiro e curador-ferido, por causa do centauro Quíron), Hefesto (Capricórnio, o aríete trabalhador), Hera (Aquário, do ar), Poseidon (Peixes), Ares (Áries, regido por Marte), Afrodite (Touro, regido por Vênus), Hermes (Gêmeos, regido por Mercúrio, comunicativo), Deméter (Câncer, o signo maternal), Zeus (Leão, o rei). De qualquer forma, isso não vai fazer tanta diferença para o ritual.

A ordem de culto dos olimpianos que o site deles propõe (a partir de uma sequência zodiacal) acaba, por conta disso, tendo de ser também revista, pois acredito que deveríamos começar e terminar os ritos com Héstia, e que as 12 pares de deuses deveriam conter o mesmo número (2) para cada um. O site também sugere que se leiam TODOS os 15 hinos a Dionísio nesses 12 dias, o que é outro ponto em que eu proporia uma mudança, deixando 5 hinos por dia, que tivessem a ver com as deidades lembradas.

No caso, a minha sugestão ficaria assim:

DATA        DEUSES            HINOS
Dez. 24   Héstia e Hefesto    29, 30, 47, 49, 53
Dez. 25   Ártemis e Apolo     30, 46, 47, 49, 52
Dez. 26   Apolo e Hermes     30, 45, 46, 47, 52
Dez. 27   Hefesto e Atena     30, 46, 47, 53, 54
Dez. 28   Hera e Zeus           29, 30, 42, 44, 48
Dez. 29   Poseidon e Atena   42, 46, 53, 54, 75
Dez. 30   Ares e Deméter      29, 30, 47, 50, 75
Dez. 31   Afrodite e Ártemis   30, 42, 49, 54, 74
Jan. 01    Hermes e Afrodite   30, 45, 52, 54, 74
Jan. 02    Deméter e Ares      29, 30, 47, 50, 75
Jan. 03    Zeus e Hera           29, 30, 42, 44, 48
Jan. 04    Poseidon e Héstia  30, 42, 49, 54, 75

Enfim, esta é uma proposta para a nossa comunidade brasileira. Mas, se você quiser seguir a ordem e a configuração dos americanos, acompanhe a sequência de deuses apresentada no site deles e/ou recite os 15 hinos todos os dias: http://www.hellenicgods.org/Twelve-Days-of-Dionysos

Seguem os HINOS ÓRFICOS (traduções de Alexandra a partir do inglês de Athanassakis):

Sumário:
29.  a Perséfone (mãe de Dionísio Eubouleus)
30.  a Dionísio
42.  a Mise (o salvo das águas)
44.  a Sêmele (mãe de Dionísio)
45.  a Dionísio, Bassareus (besouro) e Trienal
46.  a Liknites (o desperto)
47.  a Perikionios (preso à coluna)
48.  a Sabazios (o pai de Dionísio, ou seja, Zeus)
49.  a Hipta (ama de Baco)
50.  a Lysios - Lenaios (o libertador - a vinha)
52.  ao Deus do Banquete Trienal - trieterikos (em Tebas)
53.  ao Deus do Banquete Anual - amphietos (em Atenas)
54.  aos Silenos, aos Sátiros e às Bacantes
74.  à Leucotéia (ama de Dionísio)
75.  a Palaemon (o destruidor)

29. Hino Órfico a Perséfone:
Perséfone, abençoada filha do grande Zeus, filha única
de Deméter, venha e aceite este gracioso sacrifício.
Muita honrada esposa de Pluto, discreta e doadora da vida,
tu comandas os portões do Hades nas entranhas da terra,
Praxidikê (justiça exata) amavelmente trançada, pura flor de Deo,
mãe das Fúrias, rainha do mundo inferior,
a quem Zeus gerou em união clandestina.
Mãe do Eubouleus que tem várias formas e que ruge alto,
radiante e luminosa companheira de recreação das Estações,
augusta, toda-poderosa, rica donzela em frutos,
brilhante e de cornos, só tu és a amada dos mortais.
Na primavera tu rejubilaste nas brisas das campinas
e mostras tua figura sagrada nos brotos e frutos verdes.
Foste feita esposa de um raptor no outono,
e apenas tu és vida e morte para os mortais que labutam;
Ó Perséfone, pois tu sempre nutres tudo e matas tudo também.
Escutai, ó abençoada deusa, e enviai os frutos da terra.
Tu que floresces em paz, em saúde de mão suave,
e em uma vida de fartura transportas pelo ar a velha idade
em conforto até teu reino, ó rainha, e para o reino do poderoso Pluto.

30. Hino Órfico a Dionísio:
Eu clamo ao estrondoso e festivo Dionísio,
primordial, de duas naturezas, duas vezes nascido, senhor Báquico,
selvagem, inefável, secretivo, de chifre duplo, de duas formas.
Coberto de hera, com rosto de touro, bélico, uivante, puro,
tu tomas a carne crua, tu tens festivais trienais,
envolto em folhagem, protegido por cachos de uvas.
Eubouleus de muitos recursos, deus imortal gerado por Zeus
quando este se uniu a Perséfone em união inenarrável.
Escuta atentamente à minha voz, ó abençoado,
e com tuas amas vestidas de beleza
sopra em mim um espírito de perfeita gentileza.

42. Hino Órfico a Mise, com incenso de estoraque:
Eu chamo Dionísio, doador da lei, que carrega o talo de funcho,
A semente inesquecível e de muitos-nomes de Eubouleus,
E chamo a sagrada e inefável rainha Mise,
cuja natureza dupla é macho e fêmea.
Como o redentor Iaco eu te invoco, senhor, estejas tu deleitando-se
em seu fragrante templo em Eleusis, ou com a Mãe
com quem participas de ritos místicos na Frígia,
Ou rejubila-te em Chipre com a belamente coroada Citéria,
Ou ainda exultas em campos plenos de trigo ao longo do rio Egito,
Com sua divina mãe, a augusta Ísis de manto negro, e sua tríade de amas.
Senhora, vem, de coração gentil, a estes que competem por prêmios nobres.

44. Hino Órfico a Sêmele:
Eu chamo a filha de Cadmo, rainha de tudo,
Bela Sêmele das amáveis madeixas e de colo cheio,
Mãe do jubilante portador do tirso, Dionísio.
Ela foi levada a uma grande dor pelo raio flamejante,
O qual, através dos desígnios de Zeus Cronida imortal, a queimou,
Ela, a quem a nobre Perséfone concedeu honras entre os homens mortais,
Honras dadas a cada três anos.
Então eles reencenam a dor lancinante por seu filho Baco,
O sagrado ritual da mesa, e os mistérios sagrados.
Agora a ti, deusa, eu suplico, filha de Cadmo, rainha,
Para que sejas sempre gentil com os iniciados.

45. Hino Órfico a Dionísio, Bassareus e Trienal:
Vem, abençoado Dionísio, deus do rosto de touro, concebido no fogo,
Bassareus e Baco, mestre de tudo, de muitos nomes.
Tu te delicias em espadas sangrentas e nas sagradas mênades,
Enquanto urras através do Olimpo, Ó ruidoso e frenético Baco.
Armado com o tirso e em extrema fúria, és honrado
Por todos os deuses e todos os homens que habitam a terra.
Vem, abençoado e saltitante deus, e traga alegria a todos.
 
46. Hino a Dionísio Likinites, com fumigação de maná:
Eu invoco a estas preces Dionísio Liknites, nascido em Nisa,
Florescente, amado e gentil Baco,
Cuidado pelas ninfas e pela Afrodite de bela guirlanda.
A floresta já sentiu teus pés moverem-se na dança,
Como o frenezi te conduziu às graciosas ninfas,
E os desígnios de Zeus trouxeram-te à nobre Perséfone,
Que te criou para ser amado pelos deuses imortais.
Vem, ó abençoado, de coração gentil, e aceite o presente deste sacrifício.

47. Hino Órfico a Perikionios, com incenso de ervas aromáticas:
Eu chamo a Baco Perikionios, doador do vinho,
Que envolveu toda a casa de Cadmo e, com seu poder,
Verificou e acalmou a pesada terra quando o raio luziu
E a furiosa ventania todos os campos sacudiu.
Então os laços de todos se soltaram livres.
Abençoado folião, venha com um jubiloso coração.

48. Hino Órfico a Sabazios, com incenso de ervas aromáticas:

Ouça-me, pai Sabazios, filho de Cronos, ilustre deus.
Tu que costuraste em tua coxa o Dionísio báquico, o ruidoso Eiraphiotes,
Que ele possa vir inteiro ao nobre Tmolos, ao lado da Hipta de belas bochechas.
Mas, ó abençoado governante da Frígia e supremo rei de todos,
Vem de coração gentil em auxílio dos iniciados.

49. Hino Órfico a Hipta, com incenso de ervas aromáticas:
Eu chamo Hipta, ama de Baco, donzela possuída.
Nos ritos místicos ela toma parte, e exulta-se no culto puro de Sabos,
E na noite ela dança ao ruidoso Iaco.
Ó rainha e mãe ctônica, ouça minha prece, esteja tu no Ida,
na sagrada montanha da Frígia, ou deleitando-se em Tholos, o justo assento dos Lídios.
Vem a estes ritos, com alegria em teu rosto sagrado.

50. Hino Órfico a Lysios - Lenaios:
Ouça, ó abençoado filho de Zeus e de duas mães,
Baco da vinha, inesquecível semente, espírito redentor de muitos nomes,
Prole sagrada dos deuses, nascido em segredo, festeiro Baco,
Doador abundante das muitas alegrias de frutos que crescem profícuos.
Deus poderoso e de muitas formas, da terra irrompes para alcançar a vinha,
E nela te tornas um remédio às dores humanas, ó sagrado florescer!
Uma alegria que odeia a tristeza és para os mortais, ó Epaphian de amáveis cabelos,
És um redentor e um folião, cujo tirso conduz ao frenezi,
E que tem um coração amável com todos, deuses e mortais, que vêem tua luz.
Eu te chamo a vir agora, ó doce portador de frutos.

52. Hino Órfico ao Deus do Banquete Trienal, com incenso de ervas aromáticas:
Eu te chamo, abençoado, de muitos nomes e frenético Baco,
De chifres de touro, redentor de Nísia, deus da vinha, concebido em fogo.
Criado na coxa, Ó Senhor do Berço,
Tu que guias procissões à luz da tocha, Ó Eubouleus, sacudidor do adornado tirso.
Tríplice é tua natureza e inefáveis são teus ritos, ó secreta prole de Zeus.
Primordial, Erikepaios, pai e filho de deuses,
Tu tomas a carne crua, e, com teu cetro, conduzes à loucura da folia e da dança
No frenezi dos festivais trienais que nos concedes calmamente.
Tu irrompes da terra em uma chama... Ó filho de duas mães,
E, usando chifres e vestindo pele de corço, tu perambulas pelas montanhas,
Ó senhor cultuado em banquetes anuais.
Peã da lança dourada, lactente, coberto de uvas,
Bassaros, exultante em hera, seguido de muitas donzelas...
Jubiloso e todo-abundante, vem, Ó abençoado, aos iniciados.

53. Hino Órfico ao Deus do Banquete Anual, com incenso de todas as coisas que não sejam olíbano, e com uma libação de leite também:
Eu chamo o Baco que cultuamos anualmente, o ctônico Dionísio,
O qual, junto com as ninfas de belas madeixas, é despertado.
Nos sagrados salões de Perséfone ele descansa,
E põe em um sono puro o tempo báquico, a cada terceiro ano.
Quando ele próprio agita-se na trienal folia novamente, ele canta um hino,
Acompanhado por suas amas de belas cintas,
E, enquanto giram as estações, ele faz adormecer e acordar os anos.
Mas, Ó Baco abençoado e doador-de-frutos, Ó espírito cornífero do fruto imaturo,
Vem a este rito mais sagrado com o brilho da alegria em tua face,
Vem, todo abundante em um fruto que é sagrado e perfeito.

54. Hino Órfico aos Silenos, Sátiros e Bacantes, com incenso de olíbano em pó:
Ouça-me, pai adotivo e nutridor de Baco, de longe o melhor dos Silenos,
Honrado por todos os deuses e pelos homens mortais nos mesmos banquetes trienais.
Puro e honrado mestre de cerimônias da banda pastoril,
Folião vigilante e companhia das amas de belas cintas,
Líder das Naiades e Bacantes coroadas de hera,
Pegue todos os Sátiros - metade homens e metade feras - e venha urrar ao senhor báquico.
Com as Bacantes escolta a procissão sagrada da Lenaia,
Em sacras litanias revelando os ritos à luz da tocha,
Berrando, amando o tirso, e encontrando calma nos festejos.

74. Hino Órfico a Leucotéia, com incenso de ervas aromáticas:
Eu chamo Leucotéia, filha de Cadmo, reverente deusa,
Poderosa nutridora do Dionísio de belas grinaldas.
Escuta-me com atenção, Ó deusa, mestra do mar de colo profundo,
Tu que te delicias em ondas e és aos mortais a maior das salvadoras.
De ti depende o ímpeto instável dos navios marinhos,
E apenas tu salvas os homens da desditosa morte no mar,
Homens a quem tu rapidamente vens como bem-vinda salvadora.
Mas, ó divina senhora, vem em auxílio dos navios bem-guarnecidos e gentilmente salve-os,
Trazendo ao mar um belo vento de popa aos iniciados.

75. Hino Órfico a Palaemon, com incenso de olíbano em pó:
Companheiro do jubiloso Dionísio nas festas dançantes,
Que habita na pureza do mar, nas profundas turbulências,
Eu te chamo, Ó Palaemon, a vir a estes ritos sagrados, com gentileza em teu coração,
E alegria em tua face juvenil, para salvar teus iniciados na terra e no mar.
Quando no inverno, tempestades vêm até os navios que sempre vagueiam pelos mares,
Apenas tu apareces encarnado para salvar os homens,
E manténs severa ira contra a elevação salgada das ondas.

~ Alexandra Nikaios, 12 de dezembro de 2010. ~
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