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Círculo Apolíneo

Ritual semanal a Apolo, seguindo o grupo do Kyklos Apollon. A ser realizado no nascer do sol em Delfos, que, em horário brasileiro, cai aproximadamente à meia-noite e alguns minutos do sábado para o domingo.

Exemplo baseado em textos de Jim Kollens e de Michael Standingwolf, adaptados e traduzidos e com sugestões de Alexandra Nikaios.

ANTES DO RITO:
Junte a tigela de khernips (água lustral), a vasilha de libação (e o líquido a libar), o incenso, a vela, e os hinos a Apolo. Se tiver um assento de tripé (tripode), traga-o para a frente do altar. Separe as músicas que irá oferecer ao deus. Tome banho e use roupas limpas ou pelo menos lave as mãos, de preferência na água lustral. Se puder, lave as mãos, pés e rosto dizendo "purifico-os em honra do deus".

PREPARAÇÃO:
Consagre a vela a Héstia com um dos hinos a ela (escolha AQUI), se já não o tiver feito antes para preparar a água lustral. Segure a vela (com ou sem o suporte dela) com ambas as mãos e faça três círculos diante do altar, no sentido horário.
Sente-se na frente do altar, relaxado. Antes de qualquer coisa, respire fundo 3 vezes, sinta o ar, procure se concentrar no momento do ritual.

INÍCIO:
"Venho diante deste altar para honrar os deuses abençoados que habitam o Olimpo, os brilhantes e magníficos deuses que são eternos. Nenhum de vós é uma criancinha, todos são verdadeiramente grandes. Portanto, são dignos de louvor e sacrifício, deidades olimpianas, sagrados deuses da humanidade."

DEDICATÓRIA:
"Já esta radiante carruagem de quatro cavalos, o sol, brilhará sobre Delfos
e sua chama do fogo celeste afastará as estrelas na noite sagrada;
os rochedos não-trilhados do Parnaso recebem a roda do dia para os mortais.
A fumaça do incenso voa do teto de de Febo, e as pitonisas se sentam no trípode,
cantando aos helenos sempre que Apolo as exorta.
Os servos délficos de Febo vão até as fontes prateadas da Castália,
chegam ao templo após banhar-se em águas puras;
e esperam ter a boca sacra para levar boas palavras à aqueles que consultam o oráculo.
E nós trabalharemos para tornar pura a entrada no templo de Apolo,
trazendo o louro e umedecendo o chão com gotas d'água.
Ó Pean, ó pean, possas tu ser afortunado, filho de Leto!
Amável é o trabalho, ó Febo, que conduzo diante de tua casa,
honrando seu santuário profético;
glorioso é meu trabalho, de servir aos deuses imortais,
Louvo Febos que me alimenta e governa este templo!
Ó Pean, ó pean, possas tu ser afortunado, filho de Leto!"

INCENSO:
Acenda o incenso (louro, olíbano, âmbar, mirra) na vela consagrada.
Circule a imagem com o incenso no sentido horário e diga:
"Ouça-me, Apolo Pítio, Apolo Loxias, Apolo Musaghetes,
Febo Apolo, Apolo Akesios, Apolo Smintheus,
ou quaisquer nomes que desejes ser chamado.
Ofereço este incenso em tua honra."

PRECE:
"Ó criança sagrada da grande Leto, Febo de cabelos dourados,
venha de longe para perto de nós,
quando o filho de Hipério se erguer sobre o centro do mundo.
Agora que a luz do dia nasce em Delfos,
nós que te adoramos voltamos nossos pensamentos para lá,
espalhados como estamos por toda a terra,
e cada um te saúda do seu jeito,
lembrando daquele que nunca deve ser esquecido.
Onde teus pés dourados pisarem é chão consagrado;
que tu possas vir a cada um de nós
e nos aquecer com tua luz crescente.
Tua presença purifica o ar com tua suave harmonia,
pois só o que é puro se aproxima de ti.
Onde estás se faz uma nova Delfos,
e nós que somos teus nos unimos para te saudar,
sentir o aroma da tua divindade
e nos lembramos do Apolo que-atira-longe."

MÚSICAS/HINOS:
"Ó senhor de Delos, cujo coração é canção,
que melhor oferta podemos depositar diante de ti
do que as gloriosas músicas de quem te ama?
Aceite este sacrifício de palavras que vertemos em tua honra."
Aqui você pode cantar/tocar algo apropriado (apolíneo), ou ler os hinos antigos (homérico, órfico, de calímaco) dispostos AQUI.

MEDITAÇÃO:
Pare para contemplar Apolo, pense nos membros que também estão fazendo o ritual ao mesmo tempo, medite sobre o deus, se quiser reflita sobre as máximas délficas (disponíveis AQUI).

PEDIDO:
"Venho diante de Apolo Paian para purificar-me,
pois ele é conhecido por ser um deus que limpa-nos do que nos aflige.
Dizem que havia uma fonte em Delfos
onde o senhor filho de Zeus matou um dragão com seu arco,
um monstro que inflingiu muitos males às pessoas da terra,
com sua crueldade sanguinária.
Ó gentil Febo, há monstros aqui também,
por favor escute enquanto eu lhe conto tudo."
Fale abertamente para Apolo sobre as coisas na sua vida nas quais você precisa da ajuda dele, reconhecendo também o quanto disso é resultado de suas próprias ações faltosas. Imagine suas preocupações e negatividades saindo de você para formar um grande dragão serpentino. Enquanto ler os próximos versos, visualize Apolo arqueiro parado diante de você e mirando o bicho que vai se formando. Quando chegar na parte certa do hino, veja-o lançar suas flechas no píton que ele tirou completamente do seu corpo e que agora jaz no chão. Veja-o entrar no chão e se desintegrar até não deixar nenhum rastro de si.
"O píton trouxe seu dia de destruição a quem o conheceu,
até o senhor Apolo que-atira-longe lançou sua poderosa flecha,
concedendo-lhe insuportável dor e levando-o estremecido ao chão.
O estrondo foi incrível e percorreu a floresta, com sua cauda em zig-zag,
até ele dar seu último suspiro ensanguentado quando Febo Apolo declarou:
'Desça agora nesta terra e nunca mais traga o mal aos seres humanos
que comem o fruto da terra que os nutre e produz ofertas imaculadas.
Nem Tifeu nem a malfadada Quimera podem evitar a sua deplorável morte,
mas bem aqui a terra negra e o sol flamejante lhe enterrarão.'
Assim ele falou e a escuridão cobriu os olhos do monstro,
e a fúria sagrada de Hélio o enraizou na terra;
desde então o lugar ficou sendo chamado de pito,
e as pessoas chamam o senhor Apolo de pítio."
Agora visualize Apolo lavando seu corpo com sua luz dourada, queimando qualquer traço de negatividade e curando/regenerando cada parte, da cabeça aos pés. Diga:
"Ê pean, estou curado; ê pean, estou limpo; ê pean, estou purificado!"

LIBAÇÃO A LETO E ÁRTEMIS:
"Donzelas de Delos,
seguidoras do senhor que-atira-longe,
louvo agora também Leto, a mãe do deus que sofreu pelo bem dele,
e sua formidável irmã Ártemis flecheira, que fica a seu lado,
pois aqueles que são caros ao luminoso Apolo
são também queridos a aqueles que o amam."
Verta uma libação e leia os hinos a Leto e a Ártemis - AQUI e AQUI.

ENCERRAMENTO:
"Ó sagrado arqueiro cujos largos ombros cintilam,
a ti dou graças pela purificação que trouxeste,
a cura que tens me dado nesta época da alvorada délfica.
Fique a meu lado, ó radiante, como meu santuário e suporte,
tanto hoje como sempre,
até a respeitada Perséfone me chamar para perto.
Teus caminhos são os meus, ó precioso filho da nobre filha de Céos (Koios),
então me conduza pelos passos dos olimpianos,
no teu caminho que cura e honra o corpo,
que harmoniza e enobrece o coração,
que eleva e inspira o intelecto,
e que purifica e ilumina a alma.
Ê pean, deus que carrega a lira!
É através de ti que os mortais atingem a perfeição.
Senhor Apolo, fundado das leis e das cidades,
que envia os navios a novos litorais
e inspira as almas profundas às alturas da filosofia,
possam nossas preces serem agradáveis a ti.
Que possas verdadeiramente nos purificar
e dissolver o efeito de nossas falhas
que tanto mundanamente nos debatemos para diminuir.
Que possamos pertencer às espirais da restauração de teu culto,
e que estes, que um dia foram enfraquecidos,
possam nunca mais serem apagados de novo."

Respire fundo três vezes.
Conclua o ritual como estiver acostumado.

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