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Prática Constante

(ou Quem Tem Medo da Ortopraxia?)

Algumas vezes escutamos ou lemos (no grupo, nos chats da EBM, nas mensagens privadas) que as pessoas têm medo de fazer as coisas erradas, e muitas vezes deixam de fazer qualquer coisa pra não correr o perigo de executar algo de forma que ofenda os deuses, e acabam não fazendo nada. 

Mas, gente, quando a gente não faz nada, nada acontece. Nada mesmo, nenhuma coisa boa também.

Ortopraxia (prática correta) não é apenas executar direitinho um rito/prece; ter constância no que faz também é praticar corretamente. Está correto tentar e errar, não está correto cruzar os braços por medo. Nem cruzar os braços, nem fechar os olhos, nem calar a boca, nem cerrar os punhos. Nada disso é correto quando queremos desenvolver um relacionamento, concordam?

Teve uma coisa que eu aprendi recentemente: quando deixamos de fazer coisas por medo de ofender os deuses, isso também é como não confiar neles. Quando você tem receio de como eles vão te responder, você não está os tratando com a intimidade de um amigo, e sim com o respeito de um ídolo ou de um professor.

Quando falamos que a ortopraxia é a coisa mais importante para os helenos, a estamos opondo à ortodoxia como algo dogmático, porque a "crença correta" é algo que nunca podemos afirmar ter. Simplesmente porque nós não 'acreditamos', nós sabemos.

Então confie mais nesse saber que, segundo Platão, "a gente não aprende, a gente se lembra", e siga sua intuição. Confie que ela esteja certa. Se não estiver, você vai saber/perceber e corrigir na próxima vez. Mas é melhor ter uma discussão com um amigo do que nunca conversar com ele, pois qualquer diálogo é acréscimo no desenvolvimento de uma relação de proximidade.

Acrescente um pouco do dionisismo libertador nas suas práticas e 'se jogue'. Depois venha me contar o resultado...

Evoé!


(Alexandra, 22/10/2014)
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