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Janeiro a Março 2010

Artistas Minóicos Desempregados Conseguiram Emprego no Egito Antigo?
- por owenjarus em 05 de Janeiro de 2010


Reconstrução por computador de cenas de salto em touro, de Tell el-Dab'a.
Copyright: Instituo Arqueológico da Áustria.

Um dos mais intrigantes mistérios que os egiptologistas e especialistas no Egeu estão lidando é o dos afrescos de Tell el-Dab'a, também conhecido como Avaris.

Esse sítio foi usado como a capital de Hyksos, em um tempo onte eles governavam a maior parte do Egito, de 1640 a 1530 AEC. Ele fica no Delta do Nilo e teria providenciado acesso ao Sinai, ao leste e ao sul do Egito.

O sítio parece ter sido abandonado por um tempo depois que os hyksos foram expulsos. Porém, ao final da 18ª dinastia (quando os egípcios voltaram ao controle de suas terras), o lugar estava em uso e ostentava três - sim, três - grandes palácios. Eles eram rodeados por um muro cercado. O complexo inteiro tinha cerca de 5,5 hectares (55.000m²) de tamanho.

Agora, eis o mistério: dois desses palácios estavam decorados, por um período muito curto de tempo, com afrescos minóicos. Isso inclui desenhos de cenas de saltos a touros - que são bem conhecidos do Palácio de Cnossos, em Creta.

O escavador do sítio, Manfred Bietak, publicou um livro em 2007 que discute esses afrescos e os compara com as mais famosas cenas do Palácio de Cnossos.

Não há dúvida de que os afrescos em Tell el-Dab'a são de influência egéia, e parece provável que os artistas sejam de Creta. Datá-los é difícil, mas pela estratografia e a cerâmica, eles parecem ser mais ou menos do tempo de Thutmosis III.

O que eles estavam fazendo no Egito?

Essa é uma pergunta importante, mas difícil de responder precisamente.

Bietak disse em seu livro que as pinturas podem simbolizar o casamento de uma princesa minoana com alguém da família real egípcia.

Outra possibilidade seria que os afrescos tenham sido pintados pela ocasião da visita de Estado de líderes minóicos ao Egito.

Casamento real ou evento internacional parecem coisa de lenda. Então há uma outra idéia - sem tanto romance: artistas minóicos desempregados.

Foto de George M. Groutas. Afresco restaurado de salto a touro (em gesso pintado) de uma parede do palácio de Cnossos, hoje no Museu Arqueológico de Heraklion.

A Professora Maria Shaw, da Universidade de Toronto, acredita que os afrescos foram desenhados por artistas minóicos que viajaram ao Egito quando a civilização minóica estava declinando. Seus argumentos são de que:

Os governantes de Creta controlavam sua arte muito cuidadosamente. As cenas de salto a touro são símbolo do Palácio de Cnossos e não se encontra em nenhum outro lugar da ilha, talvez nem em outros palácios.

As meia-rosetas da decoração floral vistas nas cenas de Tell el-Dab'a são "um sinal de realeza... incrível serem tão apropriadas e usadas em Tell el-Dab'a.”

O salto a touro e os símbolos de meia-roseta eram altamente controlados por Creta, portanto não faz sentido que os governantes deixassem os artistas pintá-las em um país estrangeiro.

Reconstrução por computador de um grifo em Tell el-Dab'a. Copyright do Instituto Arqueológico da Áustria.

Então, de novo, o que faziam no Egito?

Shaw acredita que as pinturas datam de uma época em que o Palácio de Cnosso estava em declínio (ca. 1400 AEC). Os artistas que trabalhavam lá se viram desempregados e precisando de um novo benfeitor. "Eles devem ter saído de lá para encontrar emprego no Egito", diz ela.

Com o palácio em declínio, também declinava o desejo de honrar os símbolos de seu regente.
“O respeito ou o medo que as pessoas tinham em não imitar Cnossos - morreu com Cnossos,” disse Shaw.

Os governantes egípcios sancionariam o uso da arte minóica por estarem abertos a influências estrangeiras. As cartas de Amarna mostram que o Egito lidava diplomaticamente com o oriente próximo. Pinturas foram encontradas mostrando pessoas do Egeu trazendo presentes ao Egito. Motivos minóicos podem ter sido achados em tumbas egípcias.

Apoiando a tese dela, há as evidências do sítio de Micenas na Grécia, onde fragmentos de uma cena de salto a touro - similar à encontrada em Cnossos - também foi achada. Ou seja, quando Cnossos caiu, seus artistas e sua arte viajaram para longe.

(de Heritage Key, traduzido por Alexandra)

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Ferramentas Apontam para Antigas Navegações em Creta
Norman Hammond, correspondente em arqueologia, 18 de janeiro de 2010

Evidências da navegação mais antiga do mundo emergiram de um levantamento arqueológico em Creta. As ferramentas são do tipo do Baixo Paleolítico, ao menos de 130.000 anos de idade, foram encontradas na ilha grega, que foi isolada do Mar Mediterrâneo por ao menos 5 milhões de anos atrás, então algum ancestral humano deve ter chegado por barco. Nessa data, eles teriam sido de uma espécie pré-moderna: os primeiros Neandertais ou mesmo o Homo heidelbergensis, a espécie a qual o Homem de Boxgrove pertencia, são os possíveis candidatos, mas nenhum resto dos tais foi encontrado em Creta ainda.

“Os primeiros habitantes de Creta chegaram na ilha usando embarcações capazes de navegar em mar-aberto e de múltiplas jornadas - uma descoberta que coloca a história das navegações no Mediterrâneo para bem antes de 100.000 anos e tem implicações para a dispersão dos primeiros humanos", diz o Professor Curtis Runnels. O mais antigo barco descoberto até agora era um que foi da Indonésia para a Austrália, de mais ou menos 60.000 anos atrás, feito por humanos anatomicamente modernos de nossa própria espécie, Homo sapiens, embora agora saibamos que os primeiros assentamentos na ilha de Flores na Indonésia também necessitavam de travessia marítima.

O Professor Runnels, especialista em Paleolítico, disse que esses primeiros cretenses podem ter cruzado o mar da Líbia em vez de ter saltado as ilhas cíclades até o continente grego.

O levantamento foi focado na área de Plakias (de frente para a Líbia mais do que 320 km ao sul) a Ayios Pavlos, e recobriu mais de 2 mil artefatos de pedra de 28 lugares; as ferramentas mais antigas foram encontradas em 9 desses. Muito do material foi achado a 92 metros acima do nível do mar moderno.

Mais de 300 peças foram achadas em cada um dos sites mais antigos, e em 5 deles o contexto geológico permitiu que se fizesse uma datação apropriada. O Professor Runnels considera sua estimativa de 130 mil anos um mínimo e atenta para o fato de que os artefatos podem ser ainda mais antigos que isso. As ferramentas incluem machados, talhadores, raspadeiras, e pedras de quartzo muito usadas em ferramentas.

Parece que nossos antepassados estavam fazendo seu caminho através do famoso "mar escuro de vinho" de Homero dezenas de milênios antes do que se supunha.

(de The Times, traduzido por Alexandra)

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Medusas no Porto de Cesaréia
janeiro de 2010

Exibição arqueológica mostra ao público pela primeira vez uma antiga e extraordinária cobertura de sarcófago de 1.700 anos atrás que é uma das mais impressionantes descobertas de Cesaréia. Ela pesa mais de 4 toneladas, é decorada com cabeças serpentinas de medusa e máscaras de júbilo e tristeza (do teatro - comédia e tragédia). A palavra medusa vem de "guarda" ou "sentinela", quem olhasse para ela viraria pedra. Antigamente se colocava a medusa em relevos em tumbas e escudos, na esperança de espantar ameaças. A palavra sarcófago vem de "comedor de carne". Este tem duas partes: um receptáculo retangular em forma de baú onde o morto era colocado, e uma tampa. Os sarcófagos eram enterrados dentro de estruturas como mausoléus ou em rochas escavadas como cavernas.

Outra peça presente na exibição um item de uma construção magnífica que carrega uma inscrição com dedicatória de uma mulher aparentemente chamada de Cleópatra. Parece que ela e seu filho ou sua filha eram membros de uma família da nobreza local que doou a estrutura.
 
Também em exibição está um sarcófago que tem uma inscrição escrita por Eliphis, um marido dedicando o sarcófago a sua amada esposa Manophila. Nela se diz também "o homem não é imortal e assim é a vida..."
 
Para baixar as imagens em alta resolução (cortesia das Autoridades em Antiguidade de Israel), clique AQUI.
 
1+2: A cobertura do sarcófago - fotos de Sharon Ben-Yehuda, 3+4+5: Itens em exibição - fotos de Gabi Salomon.

(de Israel Antiquities Authority, traduzido por Alexandra)

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Escavações revelam Santuário para Zeus
30 de janeiro de 2010

Nova pesquisa mostra que Zeus era honrado pelos antigos gregos em um santuário aberto no topo do monte Lykayon

    
Escavações no Santuário de Zeus no alto do Monte Lykaion, na Grécia, revelaram que atividades rituais ocorriam lá há cerca de 1 500 anos, desde a altura da civilização grega clássica, em torno de 3 400 AEC até pouco aténs da conquista romana, em 146 AEC.

     Segundo David Romano, diretor do Projeto da Universidade de Pensilvânia, na Filadélfia, “podemos ter documento o primeiro santuário em montanha  do mundo grego antigo”.

Cerimônia e rituais foram realizadas em uma parte aberta do santuário (n.t. aquilo que no léxico religioso chamamos de also), chamado de ‘cinzas do altar de Zeus’. Atualmente, o local é composto por cinzas, pedras e várias ofertas votivas com dedicatórias inscritas para Zeus.  Romano também afirma não ter encontrado nenhuma evidência de templo ou estruturas de qualquer tipo no Monte Likyaion. Durante os trabalhos realizados nos últimos dois anos no altar de cinzas de Zeus foi desenterrado material de muitas fases da civilização grega, tais como cerâmicas de vários tipos, figuras em terracota de pessoas e animais e ossos queimados de ovinos e caprinos (n. t. notadamente restos de sacrifícios feitos a Zeus naquele lugar).
As análises químicas revelaram vestígios de vinho sobre as superfícies internas de alguns fragmentos de cerâmica, diz Romano. Sua equipe relatou evidência inicial da atividade ritual de cinzas no altar de Zeus em 2007. As novas descobertas indicam que os antigos gregos voltava ao local sagrado para um período extremamente longo.

(Fontes: ScienceNews e Discovery, traduzido por Thiago Oliveira)

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Dinastia de Sacerdotisas
por Eti Bonn-Muller em 1º de Março de 2010

Evidências de uma poderosa linhagem feminina emerge da necrópole da Idade do Ferro de Orthi Petra em Eleutherna em Creta.

--> Diretor de escavações Nicholas Stampolidis na entrada de uma tumba de uma importante sumo-sacerdotisa e suas três protegidas, do século VIII AEC, recentemente escavada, na presença da jornalista Eti Bonn-Muller e do aprendiz de arqueólogo Baki Agelarakis (Foto © Prof. N. Ch. Stampolidis)

O grego Nicholas Stampolidis, diretor das escavações, e sua equipe vêm desenterrando histórias não-contadas de pessoas enterradas a cerca de 2.800 anos atrás na necrópole de Orthi Petra em Eleutherna, Creta. Até agora, o sítio reuniu cerca de 141 indivíduos cremados, todos menos dois sendo homens aristocratas que provavelmente morreram em batalha em terras estrangeiras. Escavados entre 1992 e 1996, essa tumba estava repleta de coisas que datam do nono ao sétimo século AEC, incluindo recipientes de bronze, joalheria de ouro e prata, e regalias militares. Agora, duas descobertas sem precedentes desde 2007 surgiram: três generosas urnas que continham os restos de uma dúzia de mulheres com relação de parentesco entre si e uma construção funerária monumental onde uma sumo-sacerdotisa e suas protegidas, também com relações de parentesco, foram depositadas. Isso fez os estudiosos reavaliarem a importância e o papel das mulheres nas tão chamadas "Idades das Trevas" da Grécia (vide a resenha da notícia de 26/12/2009 clicando AQUI).

O sítio de Eleutherna inclui uma acrópole, uma pólis e uma necrópole. As pessoas que moravam ali, descendentes das civilizações da Idade do Bronze tanto dos micênicos quanto dos minoícos, assim como dos dóricos, guerreiros do continente grego que estabeleceram-se em Creta entre 1100 e 900 AEC - controlavam um vasto território, começando por volta do século IX AEC. A paisagem ao redor, rica em pedras, madeira serrada, mel, e recursos vegetais, pode ser responsável pelo sucesso econômico de Eleutherna. O lugar também é estrategicamente localizado, aninhado aos pés das colinas pontilhadas de oliveiras no sagrado Monte Ida, há uns 10 quilômetros do mar e uns 17 quilômetros da "caverna de Zeus", onde o líder do panteão grego cresceu.

A equipe também descobriu atividades de cremação, incluindo piras iguais as relatadas nos versos da Ilíada.

~ (Tradução resumida feita por Alexandra.)
~ (Eti Bonn-Muller é a editora da versão online do Archaeological Institute of America - AIA. Para ler sobre os adornos sagrados, ver vídeos e entrevistas e Making Of das escavações, como quando Nicholas Stampolidis mostra um pingente dourado que retrata a cabeça de um leão no culto de Zeus, ou a análise de Anagnostis Agelarakis sobre a descoberta matrilinear de Eleutherna, vá ao site da notícia no AIA clicando AQUI e desça para depois da reportagem.)



Moedas da era pós-Alexandre, o Grande, são achadas na Síria
04 de março de 2010, por Associated Press

~ Sírio que estava escavando para fazer as fundações de sua casa encontrou a caixa com as moedas ~

«  As peças encontradas, datadas dos séculos 4º ao 1º antes de Cristo, trazem a efígie do rei guerreiro.

DAMASCO - Mais de 250 moedas de prata da era helênica, iniciada após a morte de Alexandre, o Grande, foram encontrada no norte da Síria, informou o arqueólogo sírio Youssef Kanjo nesta quinta-feira, 4.

Kanjo, que lidera as escavações arqueológicas na antiga cidade de Allepo, disse que as moedas foram descobertas duas semanas atrás quando um homem estava escavando para fazer as fundações de sua nova casa. Ele levou as moedas, que estavam numa caixa de bronze, para as autoridades, disse Kanjo em entrevista por telefone à Associated Press.

As moedas são do período helênico, que vai dos séculos 4º ao 1º antes de Cristo, depois de o rei guerreiro Alexandre, o Grande, ter espalhado a cultura grega além do Oriente Médio com suas conquistas.

Kanjo disse também que a caixa continha dois grupos de moedas, 137 "tetra" dracmas (quatro dracmas) e 115 moedas simples de dracmas. Um dos lados das moedas tetra dracma traz a efígie de Alexandre, o Grande, enquanto do outro lado aparece o deus grego Zeus sentado num trono com uma águia em seu braço estendido.

Algumas das moedas têm escrito em grego "rei Alexandre", mas em outras está escrito "Alexandre" ou trazem o nome do rei Filipe, muito provavelmente uma referência a seu pai. Após as conquistas de Alexandre, muitos desses países no Oriente Médio adotaram o dracma como suas moedas.

"A descoberta é extremamente importante e vai se somar a outros tesouros arqueológicos da era helênica", disse Kanjo. »

( Tradução do Estadão. Vimos em inglês primeiro AQUI. )


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