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Algumas concepções errôneas vindas de autores a evitarmos

# A ideia de que o panteão grego era uma família "governada" pela figura paterna de Zeus é uma invenção de mitógrafos do século XIX (como Thomas Bulfinch). Na prática de culto e nos mitos, as deusas e divindades femininas eram tão respeitadas e amadas quanto suas contrapartes masculinas. Apesar da antiga Grécia ser patriarcal, no reino da religião as mulheres desempenhavam um papel importante. Sacerdotisas e deusas eram tão comuns quanto sacerdotes e deuses.

# A ideia de que Héstia tenha abdicado de seu lugar no Monte Olimpo em favor de Dionísio aparentemente é uma invenção de Robert Graves, uma vez que isso só aparece nos livros dele e não aparece em nenhuma das fontes que ele cita, e nem mesmo nas fontes antigas conhecidas. O que acontece é que quais dos deuses eram "olimpianos" variava por região e, na prática, isso nem parecia ser algo muito importante para os gregos antigos.

(Fonte: livro "Kharis", da Sarah Winter, traduzido pela Alexandra)

No que se refere a autores atuais, melhor os que sejam mais recentes do que os que são de algumas décadas atrás. Primeiro porque as descobertas arqueológicas nos dão novas evidências das coisas, segundo porque os autores dos últimos séculos eram carregados de fortes preconceitos. Às vezes eles discutem o paganismo como se fosse uma noção primitiva que foi 'ajeitada' com o surgimento do monoteísmo; e outras vezes eles tentam conectar práticas nada-a-ver dentro de uma teoria unificada, como faz o pessoal da escola de Cambridge (incluindo James Frazer e Jane Ellen Harrison). Por outro lado, há também problemas com algumas obras atuais que enfatizam demais a teoria feminista em detrimento de uma objetividade. O ideal é podermos ler as coisas com um pouquinho de pé atrás (ou "jogando um pouquinho de sal") até termos certeza de que aquilo é válido.
E, quanto a HÉCATE, a ideia de ela ser uma anciã ou uma deusa tríplice (donzela-mãe-anciã) foi algo dado pela wicca. Na mitologia grega antiga ela era mais frequentemente representada como uma mulher jovem, e seus atributos e formas de culto têm pouco a ver com as concepções neo-pagãs dela. (Alexandra)

"Eu acho que um ponto a se pensar é que quando a gente lê algum autor a gente tem a interpretação pessoal dele de algo. Gosto do livro do Renee Menard, por tratar de iconografia, mas ele mesmo assume na introdução do livro que ele usou os mitos do jeito que eram mais adequados a ele para falar da arte. Mesmo quando se pega fontes clássicas, a visão é diferente porque cada autor está inserido em uma época, lugar, especificidade. E o séc. XIX e o XX são séculos moralistas e bem preconceituosos, aquela visão positivista irritante... e dá-lhe filtrar as coisas... quanto mais científico mais confiável e, mesmo assim, com certeza ainda tem um viés complicado nas coisas mais antigas." (Sarah Helena)

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